Paraná aprova plano da safra de verão
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quarta-feira, 11 de junho de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Kraw PenasSem empolgaçãoCosta: Ocepar aprova plano, mas área de plantio não terá aumento significativo O plano de safra para o ano agrícola 1997/98 divulgado ontem em Brasília, agradou as lideranças rurais no Paraná, mas antecipam que o aumento de área não deverá ser signficativo no Estado. A expectativa é que a redução nos juros dos financiamentos de custeio e maior disponibilidade de recursos nos bancos vão levar o agricultor a investir mais em tecnologia para aumentar a produtividade das lavouras. Para o gerente técnico da Ocepar, Nelson Costa, o plano de safra reforça a tendência de plantio que já estava delineada no Estado pela conjuntura de mercado, que prevê o aumento da área plantada de soja, redução da área de milho e ligeira recuperação da cultura do algodão.
A elevação no volume de recursos disponíveis para o custeio, passando de R$ 5,2 bilhões na safra passada para R$ 8 bilhões, esse ano, a redução dos juros de 12% para 9,5% no custeio e a redução do Proagro do algodão foram eleitos os pontos mais positivos do plano. Segundo Nelson Costa, a redução nos juros sinaliza um ajuste do financiamento à capacidade de pagamento do produtor. Agora ele tem condições de ir ao banco e fazer o financiamento de custeio porque as taxas estão mais compatíveis com a atividade, argumentou.
Também a redução do Proagro para o algodão de 6,7% para 3,9% sobre o valor financiado foi apontado por Costa como um ponto positivo para o agricultor e junto com o aumento do preço mínimo para a cultura, vai contribuir com a recuperação na lavoura no Paraná. Mas desde que o agricultor faça o plantio adequado para lavoura mecanizada, frisou. O início do plano de safra está atendendo as expectativas, mas é evidente que os produtores estão aguardando a complementação de políticas especiais na área de comercialização, que vão determinar o sucesso da atividade, resumiu Nelson Costa.
Se os recursos anunciados pelo ministro Arlindo Porto estiverem nas agências bancárias em tempo hábil para os agricultores, eles terão mais tempo para ampliar os investimentos em tecnologia, avaliou Norberto Ortigara, diretor do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Ortigara também considerou que o plano de safra está favorável ao setor agrícola e prevê até um aumento de área plantada no Paraná em cerca de 200 mil hectares. No ano passado a área plantada foi de 6,4 milhões de hectares e com o anúncio do plano de safra, poderá ser elevada para 6,6 milhões de hectares.
Ortigara salienta que os recursos já deveriam estar chegando nas agências bancárias para que o produtor pudesse aproveitar a época de preços baixos dos insumos.
Meneguette Já o presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Ágide Meneguette não acredita em aumento de área plantada no Paraná, em função do anúncio do plano de safra. Ele considera as medidas favoráveis ao produtor, mas salienta que a área ocupada com agricultura no Estado, em torno de 32% a 35% já é a maior do país e não vê muito espaço para sua expansão.
Meneguette acredita que a maior disponibilidade de recursos para o custeio vai permitir um avanço na produção de soja em aproximadamente 10%, em detrimento da área de milho que certamente será menor. Na safra encerrada esse ano, o país colheu 26 milhões de toneladas e provavelmente na safra 97/98 poderá colher entre 28 e 29 milhões de toneladas. A queda na área ocupada com o milho é justificada pelos baixos preços do grão, abaixo do mínimo, desde o início desse ano.


