Vânia Casado
De Curitiba
Cresce o interesse pela colheita mecânica do algodão no Paraná. Os médios produtores estão se organizando nas cooperativas para alugar as máquinas, já que o custo para compra de um equipamento é alto, até US$ 200 mil. As colheitadeiras de algodão alugadas pelas cooperativas começam a chegar na se - mana que vem na região Centro-Oeste do Estado. As máquinas foram alugadas de grandes produtores do Mato Grosso e deverão atender os produtores paranaenses que plantaram variedades que permitem a colheita mecânica, mas não possuem a máquina.
A Coamo está inovando esse ano porque além de trazer as colheitadeiras, os cooperados terão a disposição ainda caminhões que fazem o transporte do algodão a granel, o que evita custos com sacaria e enfardamento da produção. A cooperativa alugou seis colheitadeiras que serão transportadas pelos caminhões que farão o transporte a granel, também alugados. As máquinas deverão fazer a colheita numa área de 2.000 hectares pertencentes a 65 cooperados inscritos. Essa área corresponde a cerca de 11% da área plantada na região, disse Nei Cesconeto, gerente técnico da cooperativa.
Para ele, o fato da colheita mecânica ter superado os 10% de área na região mostra que o sistema é viável e econômico para o produtor. Principalmente agora que começa a escassear a mão-de-obra volante que faz a colheita manual. Os cooperados da Coamo vão pagar de R$ 1,20 a R$ 2,00 por arroba, dependendo da produtividade no aluguel da máquina e mais R$ 0,10 a R$ 0,15 de frete. Nesse caso o próprio caminhão graneleiro que traz a máquina, será locado pelo cooperado da Coamo para fazer o transporte do algodão a granel até a usina beneficiadora, sem que o produtor tenha despesas com a sacaria.
Cesconeto reconhece que a colheita manual ainda prevalece no Paraná, mas lembrou que a Coamo quer mostrar ao produtor que a colheita mecânica é possível, é viável economicamente, e as máquinas podem ser disponibilizadas através de aluguel.
A Coagel, na região de Goio-Erê também está alugando três máquinas colheitadeiras no Mato Grosso. A previsão era alugar seis máquinas, disse o gerente técnico da cooperativa, Elson Benedito Rossetti. No entanto, com a estiagem que atrasou o plantio, muitos produtores acabaram optando pelo plantio de variedades que permitem apenas a colheita manual ou partiram para o plantio de soja.
Na região de Goio-Erê, as máquinas deverão fazer a colheita numa área de 1.050 hectares, que corresponde a 15% da área plantada com a cultura na região, que soma 7.000 hectares aproximadamente. Segundo Rossetti, os produtores que ficaram na atividade estão procurando se tecnificar para aumentar a produtividade e a rentabilidade. Cada máquina deverá atender entre oito e 10 produtores, com uma cobertura de 350 hectares cada uma, em média. Segundo Rossetti, a colheita mecânica com o algodão tem que ser encerrada no máximo até maio, poque em junho começa a colheita no Centro–Oeste do país.
A vantagem da colheita mecânica é a substituição da colheita manual. ‘‘Principalmente agora que está faltando mão-de-obra volante no campo’’, disse Rossetti. Segundo ele, com a decadência da área plantada com algodão no Paraná muitas famílias de bóias-frias abandonaram a atividade e não estão retornando mais. Na colheita mecânica, cada máquina colhe 1.500 arrobas por dia, substituindo 350 bóias-frias. Rossetti admite que o custo econômico pode ate empatar com os custos da colheita manual, porque muitos produtores utilizam mão-de-obra familiar. Mas argumentou que a operacionalização da colheita é mais rápida e ganha cada vez mais adeptos.
‘‘Mas há um risco’’, alertou. Se ocorrer chuvas na colheita, a produção pode ter sua qualidade prejudicada porque a máquina não fará distinção entre as maçãs e muitas poderão ser colhidas ainda fechadas.

mockup