Em 40 anos de profissão, iniciados no BADEP/CODEPAR em 1962, vivi a mais importante fase da história econômica do Paraná.
Naquela época, serrarias, olarias, farinheiras e engenhos de mate englobavam a quase totalidade do parque industrial, até que o primeiro governo de Ney Braga, homem que associava a habilidade política à visão estratégica, estabeleceu um programa de transformações admiráveis. Começou criando uma infra-estrutura econômica forte, modernizou a gestão do estado e a partir daí induziu o desenvolvimento da iniciativa privada, principalmente para proceder a industrialização.
Como resultado, já na década dos 70, nos íntegros e saudosos governos Parigot, Emilio Gomes e Jayme Canet, nosso Estado ingressava nos mais modernos e variados ramos da indústria, tais como: a metal/mecânica, a eletro/eletrônica e, a automotiva com as fábricas da New Holland e Volvo.
Com a arrancada do Mercosul no governo Sarney, os ajustes da economia (câmbio, abertura, reforma do estado) deflagrados no governo Collor e o ôplano real#, com Itamar e Fernando Henrique, um novo quadro se desenhou para o País e para o Paraná:
Posição geográfica - Com o advento do Mercosul, as reformas iniciadas em 1990 e o congestionamento da economia paulista, a economia brasileira caminhou para o Sul, sendo o Paraná o grande beneficiário desse primeiro movimento, especialmente pelas características geográficas, disponibilidades de infra-estrutura, facilidades logísticas e o estágio de seu desenvolvimento econômico e social.
Setor rural - A tragédia das geadas de 1975 desencadeou profundas transformações na estrutura de produção, buscando diversificação e modernidade. As culturas tradicionais (café, milho, soja, trigo, algodão, mandioca e cana), consolidaram-se, especialmente pela integração com a atividade industrial e a ocupação de mercados externos e internos.
Assim, o setor rural/agroindustrial paranaense deverá continuar em crescimento e diversificando-se nos próximos anos, pois as questões geo-logísticas dão competitividade, mesmo carregando o pesado custo Brasil.
Convém observar que novas ôpromessas# estão ocupando e se consolidando na paisagem rural: frutas, legumes, verduras, flores, criatórios integrados e uma nova pecuária leiteira, atividades de alta densidade econômica e compatíveis com as pequenas propriedades rurais.
Setor industrial - A agroindústria já considerada e mais o segmento madeireiro, têm no Paraná uma condição natural privilegiada.
O ramo de madeiras e suas manufaturas recebeu grandes investimentos na última década, especialmente nos segmentos de chapas de fibras (MDF), papel e celulose. Os demais segmentos continuaram a investir, desenvolver novos produtos e mercados, especialmente para as madeiras ôecologicamente corretas#, oriundas de reflorestamentos.
Porém, o grande alavancador do crescimento econômico e transformador da estrutura/cultura industrial, será a substancial ampliação ocorrida no parque automotivo.
Embora tal atividade já esteja implantada em nosso estado há mais de 20 anos, os novos investimentos têm conotação diferente. São fábricas ultra modernas, muito competitivas e produtoras de automóveis, segmento que movimenta volumes e valores de produção mais expressivos.
As montadoras, pela sua natureza, atraem para seu entorno um grande número de empresas e atividades satélites, como por exemplo: eletro/eletrônica, plásticos, estampados, embalagens, impressos, informática, pneus, fundidos, segurança, vidros, bancos, jardinagem, manutenção, tintas, limpeza, alimentação, treinamento, transportes, etc. , é um universo fabuloso.
Segundo pesquisa do Sindimetal, o Paraná que respondia por aproximadamente 4% da produção automotiva brasileira em 1999, ultrapassou os 8% em 2.000, demonstrando sua importância para o Estado, mas isto devido à canibalização da produção paulista, pois a produção nacional foi inferior à de 1997.
Perto de 80 novas empresas sistemistas (fornecedoras diretas de componentes às montadoras), estão se instalando no Paraná, das quais umas 60 já em funcionamento, mas do conteúdo dos produtos (em valores aproximados) de nosso parque automotivo (inclusive sistemistas), 40% é importado e somente 10% paranaense.
Por seu lado, a pesquisa qualitativa revelou a grande necessidade e o interêsse dos sistemistas em ampliar o conteúdo paranaense, abrindo um imenso mercado potencial, que provavelmente deverá ser ocupado nos próximos anos.
A capacidade nominal de produção dessas montadoras deverá estar na ordem de 4,5 bilhões de dólares em 2001, ou seja, aproximadamente 15% do que foi o PIB estadual em 1999.
Setor de serviços - Este setor, no caso paranaense, é reflexo direto da massa e da dinâmica da economia. Como a economia do Estado está crescendo e se diversificando, aqui também ocorrerão grandes transformações.
Os indicadores de crescimento das comunicações, da logística e dos serviços de apoio industrial, refletem esta realidade e apontam para grandes oportunidades de ampliação. Prova disso é movimento de conteiners em Paranaguá, que cresceu 60% no período 1998/2000 e a exportação de veículos, que ultrapassou 40.000 unidades em 2.000.
Conclusão - A vinda de novos e grandes investimentos internacionais, especialmente para o segmento automotivo (globais), a migração de empresas originárias de São Paulo, ligadas ao ramo automotivo, a diversificação e o adensamento econômico do setor rural/agroindustrial, a atração de serviços polarizados pelas novas economias, alavancarão um forte crescimento da economia paranaense.
As oportunidades de negócios já vem sendo desbravadas pela iniciativa privada numa velocidade admirável, determinando, por exemplo: um crescimento anual de 10% no consumo industrial de energia elétrica.
A consolidação do Mercosul, apesar dos contratempos, também ajudará muito.
Dentro desse novo panorama, considerando a maturação dos novos investimentos, pode-se afirmar que a região geo-econômica, onde está inserido o Paraná, deverá crescer com taxas levemente superiores às que se desenharão para o Brasil.
Entretanto, algumas observações devem ser feitas: o crescimento não será homogêneo para todos os segmentos; a concentração econômica em torno de Curitiba é um fator preocupante e negativo; o crescimento do País como um todo ainda é uma incógnita; o governo estadual não vem cumprindo integralmente os compromissos assinados com as empresas e não tem uma política concreta de apoio ao empresariado local; também não está preparando a infra-estrutura para suportar o crescimento previsto; finalmente, se o governo federal insistir na política de manter o ôreal# valorizado diante do dólar, toda esta imensa fronteira de desenvolvimento e bem-estar, poderá ser prejudicada.
LUIZ ANTONIO FAYET é economista, consultor de empresas, membro do Conselho Regional de Economia/Paraná, foi deputado federal, presidente do BADEP e do Banco do Brasil.

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