Paralisação será repetida amanhã
Cerca de 1,5 mil pessoas deixaram de ser atendidas ontem, na sede da Receita Federal, em Curitiba. A suspensão do atendimento aconteceu em todo o País, porque os sete mil funcionários da Receita decidiram paralisar os trabalhos por 24 horas, para solicitar reajuste salarial de 54,09% e protestar contra a falta de condições de trabalho. Em assembléia no final da tarde, ontem, os funcionários decidiram parar novamente por 48 horas amanhã e sexta-feira, e também na semana que vem nos dias 19, 20 e 21.
Ontem, no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, os fiscais e auditores aderiram ao movimento e suspenderam a análise e o desembaraço de 50 declarações de carga. O setor de desembarque de passageiros de vôos internacionais do Aeroporto também foi afetado pelo movimento, que organizou uma operação padrão nos dois vôos que chegaram de Buenos Aires. A movimentação dos funcionários da Receita Federal acabou causando diversos transtornos à população, ao atrasar a liberação dos 56 passageiros dos vôos internacionais em cerca de 30 minutos, fazer com que os proprietários de cargas retidas nas instalações da Receita pagassem mais uma diária de permanência das mercadorias retidas no aeroporto e também ao impedir o fornecimento de diversos documentos e prestação de serviços na sede da Receita no Centro da cidade a pessoas que estiveram no local.
Segundo a delegada local do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, Eloá Mussi, os funcionários da Receita Federal resolveram realizar o movimento para chamar atenção para o fato de não receberem qualquer reajuste salarial há cerca de quatro anos. Eloá informou que a paralisação também pretende fazer com que o governo reveja os cortes no orçamento que previa o investimento em equipamentos para melhorar as condições de trabalho dos funcionários. Segundo a sindicalista, o movimento está em contato com a Casa Civil da Presidência da República aguardando uma resposta positiva, sem descartar novas paralisações.
Ontem, segundo o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal de Paranaguá, houve um atraso de cerca de duas horas e meia no descarregamento de cargas no porto de Paranaguá. Fechamos seis dos sete portões de acesso ao porto e concentramos as operações via portão principal, disse o presidente do sindicato, Jorge Fávaro. A superintendência do porto informou que os procedimentos aduaneiros ocorriam dentro da normalidade, sem registro de prejuízos. (Guilherme Vieira e Agência Folha)





