Paralisação no Porto provoca US$ 15 mi de prejuízo
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sexta-feira, 19 de março de 2004
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O Porto de Paranaguá, maior porto exportador de grãos do mundo e segundo maior porto do Brasil, amanheceu ontem totalmente paralisado. Cerca de 6 mil trabalhadores cruzaram os braços junto com os patrões. Cerca de 75 mil toneladas de produtos deixaram de ser exportadas, o que representou um prejuízo de US$ 15 milhões. A fila de caminhões à espera para descarregar a soja chegou nas imediações de Curitiba e mais de 40 navios aguardam para atracar, segundo informações do Sindicato das Agências Marítimas.
O movimento deve continuar neste final de semana. Os 15 sindicatos que representam patrões e empregados firmaram um compromisso de não retornar às atividades, enquanto o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Reguião, que é irmão do governador Roberto Requião (PMDB), e toda a diretoria do porto, não forem demitidos.
A paralisação teve a adesão da população de Paranaguá. A cidade praticamente parou por uma hora, entre 11 horas da manhã e meio-dia, em protesto contra ''os desmandos que estão ocorrendo no Porto de Paranaguá''. Segundo a imprensa local, até os ônibus pararam de circular. O comércio fechou as portas e várias faixas alusivas à demissão de Eduardo Requião e da diretoria foram colocadas na praça central e imediações de Paranaguá.
De acordo com os sindicatos, o superintentende conseguiu uma situação inédita. Pela primeira vez, em muitos anos, conseguiu unir patrões e empregados contra ele, disse o presidente da Intersindical, que reúne todos os sindicatos de trabalhadores, Ademir Scomasson.
Scomasson esclareceu que a greve de empresários e empregados nada tem a ver com o problema da proibição da exportação da soja transgênica como vem alegando Eduardo Requião. Segundo ele, o superintendente está utilizando essa justificativa para colocá-los contra a opinião pública. Scomasson salientou que cada sindicato tem uma série de problemas com a diretoria, ''cujos desmandos vem provocando prejuízos e perda de competitividade do porto'', afirmou.
Os sindicatos acusam Eduardo Requião de agir como ''ditador'' e ''coronel'' no Porto de Paranaguá. ''Por várias vezes tentamos o diálogo com Eduardo e não conseguimos.'' O superintendente negou essa acusação, dizendo que sempre atende as entidades que o procuram. Para ele, os sindicatos estão praticando um ''locaute suicida'' porque insistem em não reconhecer que ele mudou as normas administrativas do porto para torná-lo mais ágil e produtivo.
De acordo com Scomasson, o governo federal vem mantendo contatos com os sindicatos. Ele disse que recebeu a informação de Brasília se até terça-feira, o governo do Paraná não encontrar uma solução para o porto, poderá decidir pela intervenção. Oficialmente, o Ministério dos Transportes não assumiu essa postura. A Folha procurou o ministério e foi informada, por meio de sua assessoria, que o ministro Alfredo Nascimento ainda não vai se pronunciar sobre uma possível intervenção no Porto de Paranaguá.


