São Paulo - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem aos funcionários públicos federais do país que a paralisação do governo era "completamente evitável" e que ele vai tentar convencer o Congresso a retomar as operações o mais breve possível.
Em uma carta publicada no site do Departamento de Energia, Obama elogiou os trabalhadores federais por seu serviço, e afirmou que eles "fazem tudo isso em um clima político que, muitas vezes nos últimos anos, tem tratado vocês como um saco de pancadas".
"Essa paralisação era totalmente evitável. Isso não deveria ter acontecido", disse Obama na carta, em que colocou a culpa pela paralisação na Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos. A paralisação nos serviços públicos é resultado do impasse sobre a decisão sobre financiamento dos gastos públicos de curto prazo.

Impasse
A oposição republicana defende condicionar a ampliação do teto da dívida ao adiamento por um ano da reforma da saúde promovida pelo democrata Barack Obama - um dos principais feitos da administração. A situação, por sua vez, rejeita a oferta.
A disputa política deve ter efeitos econômicos. A intensidade dependerá de quanto tempo vai durar o impasse. Estimativa do banco Morgan Stanley aponta que cada semana de paralisação vai custar 0,15 ponto percentual do PIB do quarto trimestre. Entre abril e junho (dado mais recente), a economia americana cresceu 2,5%. Mas o cenário pode ser ainda pior, dependendo de como vai afetar a confiança de empresários e consumidores.
As preocupações sobre o impasse no Congresso foram um dos motivos para o Fed (BC dos EUA) ainda não retirar parte dos seus estímulos iniciados no fim de 2012. Em 2011, as dificuldades para que o Congresso fechasse um acordo semelhante foi um dos motivos para que a agência Standard & Poor's retirasse pela primeira vez a nota máxima dos títulos do governo norte-americano.
Como aconteceu naquela ocasião, as Bolsas e as moedas dos países emergentes, inclusive o Brasil, poderão sofrer os efeitos.

Teto
O teto da dívida já havia sido atingido em maio, mas desde então o governo vinha lançando mão de medidas emergenciais. Segundo o governo, esses recursos se esgotarão no dia 17. A última vez que o governo foi paralisado por falta de recursos foi sob Bill Clinton (democrata como Obama), em dois períodos, totalizando 28 dias, entre 1995 e 1996.

Imagem ilustrativa da imagem ‘Paralisação era completamente evitável’
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