Paralisação em aeroportos pode retornar após Carnaval
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de fevereiro de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Trabalhadores do setor aéreo de todo o País realizaram ontem uma paralisação de atividades em 12 aeroportos do País entre as 6 e 8 horas da manhã, que ocasionou cancelamento e atraso em voos de diversas companhias áreas. Às 11h, dos 820 voos programados (domésticos e internacionais), 103 estavam atrasados e 138 tinham sido cancelados, segundo a Infraero. Em Londrina, onde não ocorreu a suspensão, três voos atrasaram. Tanto os aeronautas como os aeroviários decidiram em assembleias suspender a paralisação nos aeroportos durante o Carnaval até a próxima quarta-feira, dia 10, mas não descartam interromper as atividades por tempo indeterminado a partir do dia 11.
No Paraná, os funcionários do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais (Região Metropolita de Curitiba), aderiram à paralisação de ontem e nenhum voo saiu entre as 6 e 8 horas, sendo que cinco foram cancelados e oito atrasados, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Nos aeroportos de Foz do Iguaçu e Maringá, a paralisação não influenciou na movimentação das aeronaves. Além de Curitiba, houve interrompimento das atividades nos aeroportos de São Paulo (Guarulhos e Congonhas), Campinas (Viracopos), Brasília, Rio de Janeiro (Santos Dumont e Galeão), Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Florianópolis e Salvador.
As duas categorias vão aguardar a elaboração de uma proposta de reajuste econômico que foi sinalizada pela assessoria do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e pela Procuradoria Geral do Trabalho. A proposta deverá ser apresentada ainda nesta semana em Brasília, em reunião com representantes das empresas aéreas. "Caso essa proposta não seja apresentada ou seja insuficiente, os sindicatos filiados realizarão assembleias na quinta-feira, dia 11, que poderão decidir pela retomada da paralisação nacional por tempo indeterminado", salientou o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Sérgio Dias.
A ação dos trabalhadores que inclui funcionários de despacho de bagagens, de check-ins, pilotos e comissários de bordo - é para que as empresas do setor aprovem em negociação, iniciada em setembro do ano passado, reajuste salarial de 11%, contemplando a reposição da inflação de 10,97% retroativo à data-base de 1º de dezembro de 2015. A proposta das empresas até o momento prevê reajustes progressivos e parcelados.
Impacto divergente
Ainda não é possível saber ao certo quantos voos foram impactados com a paralisação de ontem. De acordo com o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), a estimativa é que cerca de 200 voos tenham sido afetados com a paralisação, o que cumpriria a determinação do TST de manutenção mínima de 80% do efetivo na operação de área. Já de acordo com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), dos 399 voos domésticos e internacionais previstos para ocorrer entre as 6h e 8h, 22% tiveram que ser cancelados e 48% sofreram atrasos, o que descumpriria o acordo. O número de passageiros impactados em decorrência da paralisação das operações superaria 45 mil, segundo as empresas.
O piloto e diretor da SNA, Mateus Ghisleni, estava no aeroporto Afonso Pena durante a paralisação de ontem. Ele disse à reportagem da FOLHA que todas as tripulações com voos neste horário aderiram à paralisação. "Foi dentro do que esperávamos e, certamente, cumprimos a determinação do TST. As empresas foram notificadas na sexta-feira passada acerca da ação, algumas realocaram os voos enquanto outras não, o que causou transtornos aos passageiros". Ele relatou ainda que os profissionais abriram mão de diversas outras exigências, incluindo cláusulas sociais, para que as empresas cumpram pelo menos o reajuste da inflação de forma retroativa. "Da forma que elas querem fazer, a reposição será encerrada em novembro de 2016, ou seja, serão quase dois anos sem reposição inflacionária".


