Curitiba - A greve no Porto de Paranaguá está provocando estrangulamentos em outros portos vizinhos. Parte das cargas que deveriam ser escoadas por Paranaguá está sendo desviada para os portos de São Francisco e de Itajaí, em Santa Catarina, e de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, que estão trabalhando no limite de suas capacidades.
Em função da greve em Paranaguá, as vendas de soja e farelo pararam totalmente. Ninguém compra o produto com medo de não receber. E os exportadores também não vendem mais com medo de não entregar a mercadoria a tempo.
O Porto de São Francisco não tem mais condições de receber cargas extras afirmou ontem o diretor de Operações, Gilberto de Freitas. Segundo ele, com a greve no porto paranaense o problema de logística nos portos da Região Sul está se agravando. Os portos já estão operando no máximo de suas capacidades e estão com poucas condições de atender o escoamento de cargas adicionais.
Freitas disse que para atender um navio que sai de Paranaguá para o Porto de São Francisco, por exemplo, tem que esperar entre 30 a 40 dias para carregar. Freitas lembrou que o porto está com 18 navios esperando para carregar e ele não pode passar um outro proveniente do porto paranaense para carregar na frente de outros já programados para o porto catarinense.
A previsão do Porto de São Francisco é exportar este ano 5,5 milhões de toneladas entre soja, milho e farelo, quase o dobro do ano passado quando foram exportadas 3 milhões de toneladas.
O Porto de Itajaí, também em Santa Catarina, está atendendo parte das cargas de congelados e de madeiras que deveriam ser escoadas por Paranaguá. De acordo com o gerente operacional, Luiz Gonzaga Gonçalves, a Seara que vinha exportando congelados por Paranaguá, já escalou o Porto de Itajaí para mandar a mercadoria.
A administração do Porto de Rio Grande informou que está operando normalmente e não está recebendo carga do Paraná. A gerência operacional do porto também confirmou que o porto gaúcho já está operando no limite de sua capacidade.
Caminhoneiros autônomos preocupados com o aumento da fila, que ontem chegava a 100 quilômetros, estariam migrando rumo ao Porto de Santos, em São Paulo.

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