A greve dos funcionários da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), que terminou ontem, reduziu em 50% os abates de bovinos no Estado. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Carne do Paraná (Sindicarne-PR), Péricles Pessoa Salazar, com a paralisação dos técnicos da Seab, o transporte de animais vivos das propriedades para os frigoríficos foi prejudicado. ''Desde quinta-feira passada os abatedouros tiveram problemas para transportar animais por causa da falta da emissão da Guia de Transporte de Animais (GTA)'', afirmou.

Salazar disse que mais de 8 mil animais deixaram de ser abatidos nesses quatro dias úteis. Ele afirmou que a redução dos abates só não foi maior porque os frigoríficos, cientes da deflagração da greve, requereram antecipadamente a emissão da GTA. ''Com isso conseguimos atenuar o problema'', comentou. Segundo ele, os abatedouros que exportam tiveram dificuldades para cumprir seus contratos com o exterior. Salazar não soube informar qual foi o prejuízo do setor por causa da paralisação.

O presidente do Sindicarne afirmou que os frigoríficos não têm profissionais habilitados para emitir a GTA, e por isso a paralisação afetou o setor. Já o abatedouros de aves e suínos mantêm em seus quadros técnicos autorizados a emitir o documento. Salazar disse que por causa do controle da febre aftosa, a GTA tem de ser emitida pela Seab para ser utilizada na rastreabilidade dos animais. ''Caso aconteça qualquer problema com um animal fica mais fácil identificar de onde ele saiu'', explicou.

O presidente da Associação dos Abatedouros Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Ferreira Muniz, a greve dos funciários da Seab não afetou o setor porque os abatedouros estão habilitados a emitir a GTA. ''A preocupação não é essa (emissão da GTA). Mas a paralisação coloca em risco todo o trabalho que a Secretaria desenvolveu com a criação do Conesa e Fundepec e mostra o descomprometimento do governo que não percebeu que remunerar bem estes técnicos, o trabalho pode ficar prejudicado'', comentou.

O diretor-geral da Seab, Norberto Ortigara, reconheceu que os funcionários da Seab têm salários inferiores aos de outros servidores do Estado, inclusive os ligados à Seab, com Iapar, Emater e Coodetec. Ortigara observou que o governo já se comprometeu com a Seab em criar um Plano de Cargos e Salários até abril do ano que vem. Outra medida será a contratação de 39 agrônomos e 34 veterinários já concursados. ''Além de abrirmos novo concurso para contratar profissionais em todos os setores da Seab'', disse.

Segundo a presidente do SindiSeab (Sindicato dos funcionários da secretaria), Norma Ferrari, a paralisação terminou ontem, mas após o recesso dos funcionários estaduais, que termina no dia 14 de janeiro, os funcionários devem voltar a se mobilizar. Ela observou que a reivindicação da categoria é a criação de um Plano de Cargos e Salários. ''O governo tem tratados os funcionários públicos de maneira diferenciada'', disse.

Hoje, os funcionários não trabalham por causa do feriado estadual. Mas na quinta e sexta-feira, segundo Norma, a Seab volta a funcionar normalmente. Durante o período de recesso, segundo a assessoria da Seab, a fiscalização e emissão de GTA serão mantidas normalmente.

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