Paralisação afeta fronteira
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quinta-feira, 19 de julho de 2001
Alexandre Palmar Enviado a Puerto Iguazú 
A greve geral dos trabalhadores na Argentina afetou o movimento de veículos na fronteira de Puerto Iguazú com Foz do Iguaçu pelo segundo dia consecutivo. Ontem, a adesão dos fiscais da aduana diminuiu o ritmo da fiscalização dos automóveis e reduziu pelo menos em 80% o volume de exportações e importações de mercadorias. A paralisação foi contra o pacote de corte de gastos do governo.
Dos cerca de 30 funcionários que trabalham diariamente na alfândega, somente 13 cumpriram expediente (11 na pista e dois no setor de cargas). A vistoria só foi realizada porque diretores abandonaram o serviço burocrático para revistar as bagagens dos automóveis, despachar os produtos perecíveis e verificar documentos, informou o chefe da aduana, Pedro Aquino.
A manifestação provocou fila de dois quilômetros entre a aduana e a cabeceira da Ponte Tancredo Neves. Centenas de veículos leves permaneceram parados, em média, por uma hora na pista. Devido a demora, alguns retornaram ao Brasil. Somente as mercadorias perecíveis e ônibus de turismo foram liberados para entrar ou sair do país vizinho, porém sempre escoltados por policiais. Perto de 45 caminhões com produtos não perecíveis devem ser liberados apenas hoje.
Embora aprove a greve, o caminhoneiro brasileiro Aparecido Correia da Silva, 53, já contabiliza os prejuízos com os dois dias parados na fronteira (anteontem os despachos também estiverem suspensos). Vou perder o equivalente a uma viagem, algo perto de R$ 2,2 mil. Mas fazer o quê? Cada um precisa defender o seu lado, disse o motorista, que saiu de São Paulo para levar uma carga de pirulitos de chocolate para a província (estado) de Santa Fé (região nordeste da Argentina).
A greve também refletiu na Estação Aduaneira Interior (Eadi), em Foz do Iguaçu, onde circulam diariamente 200 caminhões argentinos. Ontem, somente um caminhão ingressou no pátio até às 17 horas. Anteontem, primeiro dia da greve dos funcionários federais, o número de veículos foi de 18 durante o dia inteiro.
O chefe da aduana, Pedro Aquino, tentou amenizar os efeitos da greve dizendo que o trabalho na fronteira estaria normal. A fila, segundo ele, era consequência do aumento do número de argentinos que aproveitaram as férias escolares e o dia de greve para fazer turismo e compras em Foz, cujos estabelecimentos oferecem produtos mais baratos que os argentinos. Dados de Aquino revelam aumento de 50% no número de veículos na Ponte neste período (de dois mil para três mil automóveis/dia).


