Paraguaios e argentinos viram compristas
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de fevereiro de 1999
Edna Mendes 
Os empresários de Foz do Iguaçu estão investindo num novo filão para atrair compradores para o comércio local. Com a diminuição nas vendas do comércio interno por causa da desvalorização do real, agora é a vez de chamar a atenção dos clientes paraguaios e argentinos. Para isso, as campanhas publicitárias em língua espanhola estão se intensificando cada vez mais na Tríplice Fronteira e aumentando as vendas no comércio de Foz.
Propagandas em rádios e TVs paraguaias e argentinas estão se tornando um artifício comum para atrair consumidores. Com a crise cambial, o poder de compra dos paraguaios e argentinos aumentou e eles estão se tornando prioridade para os comerciantes de Foz do Iguaçu. Além disso, as empresas começam também a espalhar panfletos e outdoors, em espanhol, pelas principais ruas e avenidas onde circulam os compradores de Ciduad del Este e de Puerto Iguazú.
De acordo com o proprietário da Panorama Materiais de Construções, Paulo Pulcinelli Filho, uma das empresas que investiu em propaganda nos países vizinhos, a situação pela qual passa o comércio de Foz do Iguaçu é atípica perante as outras regiões do País. Para o comércio local quanto mais desvalorizada a moeda, melhor é. Agora é momento certo para atrairmos os compradores vizinhos, comemora.
Com as vendas para eles temos três boas vantagens. Conseguimos superar a queda do movimento com os compradores locais, vendemos à vista e não precisamos fazer entregas, explicou o empresário.
Pulcinelli disse ainda que os compradores estrangeiros estão procurando cada vez mais artigos de primeira qualidade. Antes eles vinham atrás do mais barato. Agora, que podem comprar o dobro que antes, estão preferindo produtos de luxo, destaca. Os materiais de construção tiveram um acréscimo, nas últimas semanas, de aproximadamente 10%.
Além dos materiais de construção, os gêneros alimentícios e roupas são os artigos mais procurados pelos paraguaios e argentinos. Os supermercados de Foz do Iguaçu estão vendendo cerca de 30% a mais do que vendiam antes da crise cambial. Os compradores estrangeiros lotam os carrinhos e estimam que economizam mais de 50% fazendo compras no Brasil.


