Ney de SouzaCausa comumO prefeito de Ciudad del Este, Juan Carlos Barreto Miranda, e o prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó: encontro discutiu estratégias conjuntas de atuaçãoO governo paraguaio deverá defender, na próxima reunião de presidentes do Mercosul, o aumento da cota de compras sem o pagamento de imposto de importação entre os países que integram o bloco econômico. O objetivo do Paraguai é conter a crise que afeta Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, o principal centro de compras da América do Sul.
O prefeito de Ciudad del Este, Juan Carlos Barreto Miranda (Partido Colorado), disse ontem, em Foz do Iguaçu, que o presidente paraguaio, Juan Carlos Wasmosy, é favorável à proposta do aumento da cota e deverá defendê-la perante os demais parceiros. Além de Brasil e Paraguai, Argentina e Uruguai integram o Mercosul (Mercado Comum do Sul).
Ontem, Barreto se reuniu com o prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), para definir estratégias conjuntas de atuação em defesa da proposta. Além dos dois prefeitos, participaram do encontro representantes do governo do Departamento de Alto Paraná (‘‘estado’’ paraguaio, cuja capital é Ciudad del Este), o presidente da Paraná Turismo, Wadis Benvenutti, vereadores e empresários dos dois municípios fronteiriços.
O resultado prático do encontro foi a formação de uma comissão que vai apresentar a Wasmosy, em um prazo de 15 dias, projeto em que o grupo formalizará o pedido para o aumento da cota. As reuniões técnicas para a elaboração desse projeto começam na quinta-feira.
Oficialmente, as autoridades da fronteira reivindicam que a cota comum de compra no Mercosul aumente dos atuais US$ 150,00, para US$ 500,00. Mas a Folha apurou que os prefeitos vão considerar uma vitória se o limite voltar ao adotado até há pouco mais de dois anos: US$ 250,00.
A redução da cota - de US$ 250,00 para US$ 150,00 - foi adotada pelos países integrantes do Mercosul em novembro de 1995. Desde então, o faturamento das 7.000 lojas de Ciudad del Este caiu cerca de 60% - de US$ 6 bilhões, em 95, para menos de US$ 3 bilhões, segundo as previsões para este ano.
O número de turistas que visitam a cidade paraguaia caiu 38% entre 95 e 96 - passou de 2,3 milhões para 1,4 milhão. ‘‘Há cerca de 20 mil brasileiros trabalhando em Ciudad del Este. Se as lojas fecharem, eles vão perder o emprego’’, preveniu Barreto Miranda. ‘‘O Paraguai tem um voto e precisa do apoio do Brasil para aumentar a cota. Agora que teremos o pedido formal dos dois países (o movimento criado por entre Foz e Ciudad del Este), acho que isso será mais fácil.
O prefeito de Foz do Iguaçu também criticou a cota em vigor. ‘‘Uma diária de hotel cinco estrelas custa US$ 150,00. Poucas pessoas se interessam em viajar até a fronteira para comprar apenas US$ 150,00 em mercadorias’’, afirmou Daijó.

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