Paraguai teme desabastecimento
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2002
Fabíola Salvador Agência Estado 
São Paulo - O Paraguai suspendeu, na semana passada, as exportações de carne bovina para os países da UE. O embargo está previsto para terminar em 45 dias, informa a assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura e Pecuária do Paraguai. A decisão foi tomada pelo governo paraguaio depois que técnicos da União Européia inspecionaram o sistema de produção e abate de gado do país. A medida foi classificada como preventiva e é uma forma de proteger a indústria local.
O governo paraguaio informa que o embargo é resultado de divergências quanto ao sistema de controle e ao registro dos bovinos.
O ministério nega que tenha sido comprovada a existência de focos de febre aftosa no rebanho bovino do Paraguai. Uma vez resolvidas essas questões, classificadas como burocráticas pela assessoria de imprensa do ministério, o Paraguai retomará as vendas para a União Européia. São 8 os frigoríficos paraguaios habilitados a vender para a UE.
A suspensão das vendas de carne bovina do Paraguai aos países da União Européia não deve beneficiar o Brasil. As exportações paraguaias de carne bovina não são significativas. Eles exportam cerca de cem mil toneladas de carne bovina por ano. O embargo não deve influenciar o resultado das exportações brasileiras em fevereiro, prevê o diretor da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Ênio Marques. Ele estima que 80% da carne bovina importada pela União Européia é fornecida pelos países da América Latina.
As atenções dos frigoríficos exportadores de carne bovina estarão voltadas para a visita de inspeção que importadores chilenos farão aos frigoríficos locais, informa a assessoria de imprensa do ministério. O Chile é o principal destino da carne bovina produzida no Paraguai.
Quanto às exportações de carne bovina do Brasil em fevereiro, Marques acredita que as vendas serão menores. A receita cambial obtida com as exportações de carne bovina caiu em janeiro. Para conseguir um resultado melhor, os frigoríficos brasileiros deverão exportar volume abaixo do registrado em janeiro último, explica o diretor da Abiec. De acordo com a nota da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as quantidades embarcadas de carne bovina aumentaram 71,3% em janeiro e houve decréscimo de 5% no preço médio da carne bovina exportada.


