São Paulo - O Paraguai suspendeu, na semana passada, as exportações de carne bovina para os países da UE. O embargo está previsto para terminar em 45 dias, informa a assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura e Pecuária do Paraguai. A decisão foi tomada pelo governo paraguaio depois que técnicos da União Européia inspecionaram o sistema de produção e abate de gado do país. A medida foi classificada como preventiva e é uma forma de proteger a indústria local.
O governo paraguaio informa que o embargo é resultado de divergências quanto ao sistema de controle e ao registro dos bovinos.
O ministério nega que tenha sido comprovada a existência de focos de febre aftosa no rebanho bovino do Paraguai. Uma vez resolvidas essas questões, classificadas como burocráticas pela assessoria de imprensa do ministério, o Paraguai retomará as vendas para a União Européia. São 8 os frigoríficos paraguaios habilitados a vender para a UE.
A suspensão das vendas de carne bovina do Paraguai aos países da União Européia não deve beneficiar o Brasil. ‘‘As exportações paraguaias de carne bovina não são significativas. Eles exportam cerca de cem mil toneladas de carne bovina por ano. O embargo não deve influenciar o resultado das exportações brasileiras em fevereiro’’, prevê o diretor da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Ênio Marques. Ele estima que 80% da carne bovina importada pela União Européia é fornecida pelos países da América Latina.
As atenções dos frigoríficos exportadores de carne bovina estarão voltadas para a visita de inspeção que importadores chilenos farão aos frigoríficos locais, informa a assessoria de imprensa do ministério. O Chile é o principal destino da carne bovina produzida no Paraguai.
Quanto às exportações de carne bovina do Brasil em fevereiro, Marques acredita que as vendas serão menores. ‘‘A receita cambial obtida com as exportações de carne bovina caiu em janeiro. Para conseguir um resultado melhor, os frigoríficos brasileiros deverão exportar volume abaixo do registrado em janeiro último’’, explica o diretor da Abiec. De acordo com a nota da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as quantidades embarcadas de carne bovina aumentaram 71,3% em janeiro e houve decréscimo de 5% no preço médio da carne bovina exportada.

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