Campo Grande - Todos os bovinos existentes na Fazenda São Francisco, localizada no departamento paraguaio de Canindeyú (na divisa com o município de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul) estão sendo sacrificados. São 718 cabeças suspeitas de estarem contaminadas por febre aftosa e, portanto, estão sendo eliminadas pelo chamado ''rifle sanitário''. No sábado foram abatidos 200 bois e ontem mais 300. Os rifles são disparados por policiais sob inspeção do Serviço de Vigilância Sanitária do Paraguai. Os animais abatidos estão sendo depositados em valas, abertas com retroescavadeira, e incinerados com óleo diesel.
Na semana passada, autoridades sanitárias do Paraguai haviam decidido pelo abate de apenas 196 cabeças, porém para garantir a eliminação total do foco da doença, resolveram sacrificar todo o rebanho existente na fazenda, de propriedade do brasileiro Fernando da Rosa Ferreira Junqueira Neto.
A presença do vírus da aftosa na Fazenda San Francisco foi confirmada pelo Centro Panamericano de Aftosa, que aconselha o abate de todos os bovinos existentes em um raio de 25 quilômetros do local do foco. Nessa área existem cerca de 2 mil animais do gênero. Os exames confirmaram existência de vírus da febre aftosa tipo 1 em dois bois.
Toda a fronteira com o Paraguai permanece fechada para o trânsito de bovinos, e os veículos que cruzam a linha de fronteira em direção ao Brasil, estão sendo pulverizados com produtos contra o vírus. Uma forte campanha de vacinação do gado está motivando uma verdadeira corrida aos estabelecimentos de produtos veterinários.
O diretor-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Alexandre Krabbe, reafirmou que não faltará vacina antiaftosa no comércio de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, as revendas ainda possuem em estoque com mais de 3 milhões de doses, e novos lotes chegarão a próxima semana.
Frustração - Segundo matéria publicada ontem no diário paraguaio ABC Color, a Câmara da Carne naquele país está prevendo uma forte frustração na exportação de carne bovina e, consequentemente, a demissão de pelo menos 2 mil trabalhadores do setor.
O jornal destaca que o Serviço Nacional de Saúde Animal (Senacsa) duvida que o Brasil e a Argentina queiram ajudar o Paraguai na solução rápida do problema. ''Não me sinto otimista quanto a implementação de ações conjuntas'', disse o presidente da entidade, Gerardo Bogado.
Segundo ele, a primeira providência do Brasil foi reforçar a vigilância na fronteira, ressaltando que ''os brasileiros têm outros interesses nesse momento e não a intenção de dedicar-se ao problema que afeta o Paraguai''. Em seguida, Bogado garantiu que o seu país tem condições de atuar sozinho no caso, e não aceitará imposição brasileira, tampouco da Argentina que também demonstrou desinteresse em colaborar com o Paraguai.
O maior mercado da carne paraguaia é o Chile que compra 40% da produção, apenas este ano foram comercializados US$ 120 milhões e diante da constatação foco a exportações para o Chile estão paralisadas, e já causam grande prejuízos.

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