Paraguai pedirá 'compensação' ao governo brasileiro
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segunda-feira, 21 de maio de 2001
France PresseDe Assunção 
O Paraguai pedirá compensação financeira pelo auxílio energético adicional que a hidrelétrica binacional Itaipu prestará ao Brasil para aliviar seu grave déficit de energia elétrica, anunciou ontem o ministro de Obras Públicas, Alcides Jiménez.
Jiménez revelou em uma entrevista coletiva que ordenou a formação de uma comissão técnica que avaliará as perdas econômicas, ambientais e de navegação que o Paraguai vai sofrer com a queda do nível normal da represa de Itaipu (de 220 metros sobre o nível do mar para 200 metros), que acontecerá entre agosto e outubro e ao fim de aproximadamente três anos.
A queda vai abaixar automaticamente não só o nível no território paraguaio, mas também no território argentino. A partir de Puerto Iguazú, o Paraguai divide o rio Paraná com a Argentina, 350 km ao sudeste.
A redução fará o Paraguai perder US$ 50 milhões por ano, afirmou na semana passada o ex-ministro de Energia Ricardo Canese, um especialista em usinas hidrelétricas.
A redução do nível da represa terá como objetivo aumentar a geração de potência de energia de Itaipu, usando o reservatório para auxiliar o mercado elétrico do Brasil.
A oferta de energia no Brasil caiu abruptamente por causa da seca, que provocou uma queda no nível de seus rios com aproveitamento hidrelétrico (Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste), situação que multiplicou a demanda de energia do país. A crise causará um forte impacto negativo na indústria brasileira.
O Brasil tenta atenuar a crise com o auxílio de Itaipu, o que seria desastroso para os interesses do Paraguai se não se negociarem compensações especiais, disse Canese.
O ministro de Obras Públicas não comentou a opinião do ex-ministro de Energia do Governo de Luis González Macchi e anunciou que uma comissão técnica avaliará os danos, para pedir ao Brasil uma compensação.
O Paraguai recebe compensações e benefícios porque permite ao Brasil o uso da potência hidráulica do rio Paraná e tem por outro lado a cessão de 94% da energia que necessita. Itaipu cobre 25% da demanda do mercado brasileiro, destinada especialmente aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.


