Paraguai pede fim da pressão sobre aftosa
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quinta-feira, 10 de agosto de 2006
José Antonio Pedriali<br>Especial para a Agência Estado 
Londrina- O governo do Paraguai pediu ao Itamaraty que interceda junto à Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), órgão de vigilância sanitária do Mato Grosso do Sul, para que os pecuaristas brasileiros com terras naquele país, os ''brasiguaios'', deixem de ser pressionados a assumir que seu rebanho está contaminado pelo vírus da febre aftosa.
As autoridades paraguaias foram informadas dessa pressão quarta-feira pelo jornal ABC Color, de Assunção, que reproduziu uma carta assinada pelo diretor do Iagro, João Cavallero, destinada a um brasiguaio. Segundo o jornal, centenas de cartas com o mesmo teor foram despachadas pelo Iagro. Cavallero reconheceu a autoria da carta. A correspondência informa o destinatário que o órgão recebeu denúncia sobre a presença da aftosa na propriedade dele e ameaça processá-lo ''civil e criminalmente'' se continuar omitindo a ocorrência.
O pedido de intercessão, acompanhado de uma proposta para que representantes dos dois governos se reúnam para discutir a melhor forma de combater a aftosa na fronteira brasileiro-paraguaia, foi feito pela chanceler Leila Rachid ao seu colega Celso Amorim após reunião, convocada por ela, com o diretor do Serviço Nacional de Controle de Sanidade Animal (Senacsa) Hugo Corrales, na tarde de quarta-feira.
Corrales viajou ontem a Montevidéu para participar da reunião do Comitê Veterinário Permanente. Ele promete protestar formalmente junto a este órgão pela denúncia do diretor do Iagro, feita esta semana, de que o Paraguai esconde a ocorrência da febre aftosa e que seriam animais daquele país os responsáveis pelo reaparecimento do vírus no MS. ''É a quinta vez em menos de um ano que autoridades brasileiras nos responsabilizam pela doença que surgiu lá'', desabafou Corrales.
O primeiro foco da doença no MS foi detectado em outubro do ano passado e ele teria contaminado, segundo o Ministério da Agricultura, o rebanho paranaense - situação que o governo do Paraná não reconhece. O Paraguai é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal como país livre da aftosa com vacinação.
A suspeita de surgimento de um foco de aftosa no Paraguai, surgida na semana passada quando 16 animais manifestaram rachaduras nos cascos - um dos sintomas da doença - levou o MS a reforçar as barreiras sanitárias com o Paraguai. O governo do Paraguai adotou o mesmo procedimento em Guaíra, na quarta-feira.


