Brasília - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que o Paraguai não contribuiu com ‘‘um centavo sequer’’ para a construção da usina hidrelétrica de Itaipu, que fica na fronteira entre os dois países. ‘‘Ele entrou apenas com parte da água, porque a outra parte era do Brasil’’, afirmou.
  Segundo ele, o governo brasileiro não está explorando o país vizinho em relação à tarifa da usina. ‘‘Não estamos espoliando ninguém, mas fazendo o que a Justiça e o Tratado de Itaipu determinam’’, disse.
  Durante seu discurso na posse do novo diretor-presidente da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Nelson Hubner, Lobão explicou que, na época da construção da usina, cada país teria que contribuir com US$ 50 bilhões, mas como o Paraguai não tinha os recursos disponíveis, o valor foi emprestado pelo Brasil.
  ‘‘Esse valor deveria ser pago com a geração de energia, o que está acontecendo. Mas o pagamento ainda não foi concluído’’, disse.
  Lobão também criticou o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que teria dito que o Brasil paga US$ 2,85 ao Paraguai pelo megawatt consumido de Itaipu. ‘‘Tivemos que dizer a ele que não era isso, e sim US$ 45, mais do que custará a energia das Usinas Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio’’.
  Segundo o ministro, o governo brasileiro ainda está tentando resolver a questão diplomaticamente.
  A alteração do Tratado de Itaipu foi um dos principais temas de campanha de Fernando Lugo à presidência do Paraguai. Para ele, o preço negociado deve levar em conta os valores praticados no mercado.

mockup