O produto brasileiro poderá ficar mais caro no Paraguai. O governo do país vizinho está analisando um projeto desenvolvido pelo Conselho Nacional de Política Econômica que prevê a cobrança de 10% de imposto sobre 350 produtos de origem estrangeira, principalmente os negociados no Mercosul. Em compensação, o Brasil também se protege. Em Foz do Iguaçu, a Receita Federal (RF) começa a instalar câmeras de vigilância na Ponte da Amizade, na tentativa de diminuir o trânsito de produtos contrabandeados.
O aumento de imposto avaliado pelos ministérios paraguaios da Fazenda e da Indústria e Comércio tem como principal objetivo ‘‘proteger’’ o mercado paraguaio dos produtos oriundos da Argentina, Uruguai e principalmente do Brasil, onde a desvalorização do real frente ao dólar está barateanto os ‘‘artigos tipo exportação’’. Em entrevista à imprensa paraguaia, a vice-ministra de Indústria e Comércio, Miryam Segovia, apontou os produtos de origem animal (carne e laticínios) e vegetal (óleo e sucos), bebibas (com e sem álcool), confecções e até material à base de aço entre os principais itens a serem sobretaxados.
O representante do Ministério da Fazenda, James Spalding, afirmou que o artigo 12 da Organização Mundial de Comercio (OMC) e o próprio Tratado de Assunção (assinado pelos países do Mercosul), prevêem ‘‘medidas especiais’’.
Para os integrantes do conselho paraguaio, as medidas devem garantir a estabilidade do país diante da situação econômica do Brasil e também da Argentina. A proposta deve ser encaminhada ao presidente Luiz Gonzalez Macchi até o final de semana, que decidirá ou não pela aprovação definitiva. O governo federal paraguaio também deve avaliar até sexta-feira o chamado ‘‘Plano de Combate ao Contrabando’’, um projeto composto por 14 medidas, incluindo a ação do Exército nas ruas de Ciudad del Este, fronteira entre Brasil e Paraguai.
No lado brasileiro, a RF iniciou ontem a instalação de 60 câmeras de vídeo nas aduanas argentina e paraguaia. O primeiro equipamento foi montado na entrada da ponte que liga Foz a Ciudad del Este, coincidentemente direcionado para os veículos que saem do Brasil. Segundo o delegado da RF em Foz, Mauro de Brito, além de garantir maior segurança e ampliar a fiscalização dos auditores, o sistema eletrônico servirá para coibir o contrabando ‘‘formiguinha’’ (feito em carros de passeio, motos e até bicicletas) de produtos comprados nos atacados de Foz, principalmente gêneros alimentícios e produtos de limpeza. ‘‘Queremos diminuir o número de roubos, furtos e outros pequenos crimes ocorridos na região de fronteira. Todas as câmeras devem ser instaladas dentro de 20 dias’’, informou Brito, lembrando que metade dos equipamentos será colocada no acesso à Ponte Tancredo Neves (Brasil/Argentina).

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