Parafernália eletrônica assusta
A aposentada Aladia Antal, 77 anos, tem saudades do tempo que pegava sua aposentadoria direto com o caixa do banco. Com apenas o primeiro ano do antigo primário completo, ela diz que não se sente segura tratando de negócios com uma máquina.
Para ter certeza que vai voltar para casa com o dinheiro da aposentadoria, ela vai ao banco todo mês acompanhada da nora. Tenho muita dificuldade de entender como isso funciona. Tenho medo de mexer, errar e perder meu dinheiro, confessa dona Aladia, acrescentando que a única máquina que mexeu na vida foi a de costura. E com pedal.
Para os mais jovens, os caixas eletrônicos já fazem parte da rotina. Entrar numa fila para atendimento em caixa convencional só mesmo se não tiver outro jeito. A dona de casa Nilva Rodrigues Kosuka, de 23 anos, faz todo serviço bancário em caixa eletrônico e diz que demora, no máximo, três minutos na fila. Isso foi uma boa revolução, diz ela.
Boa revolução quando tudo funciona direito. A administradora de empresas Gláucia Scalassara Romanelli nem sempre consegue fazer tudo o que precisa nos caixas eletrônicos. Ela é cliente de vários bancos e fez uma análise de cada uma deles, enquanto utilizava um caixa eletrônico do Banestado, no período da greve: No Banestado, muitas vezes tenho dificuldades, mesmo fora deste período de greve. É comum o sistema ficar fora do ar e já me aconteceu de ter de sair correndo do caixa eletrônico de uma agência para outra para cobrir conta porque o terminal estava com problemas. Também já tive de enfrentar filas imensas porque os caixas não estavam funcionando, conta.
Na avaliação de Gláucia, os caixas do Bradesco não apresentam muitas opções de serviços, como no HSBC. Dos bancos que ela utiliza, o que merece mais elogios é o Itaú. Nunca tive problemas com o serviço eletrônico do Itaú.
Elogios à parte, a administradora também tem críticas à falta de funcionários para orientar as pessoas que utilizam os caixas eletrônicos. A crítica é reforçada pela professora Chizuko Yofi. De cada 10 pessoas que estão na fila do caixa eletrônico, cinco não sabem mexer com o sistema e isso também prejudica o andamento. Falta orientação. Não é porque tem caixa eletrônico que não precisa ter funcionários, diz. (Benê Bianchi)





