São Paulo - Empresas da indústria e do comércio sentem ainda hoje nas vendas o efeito negativo da interrupção da queda dos juros no primeiro bimestre do ano, apesar de o governo ter voltado a cortar a taxa em março. Hoje a taxa Selic está em 16,25% ao ano e nesta semana o Banco Central irá decidir o novo nível de juros, que será válido para os próximos 30 dias.
A Lojas Cem é um exemplo típico de empresa que ainda contabiliza os efeitos da ''parada técnica'' nos juros. A rede registrava aumento de vendas na casa de 30% no início do ano. Passou a crescer na faixa de 10% logo após a interrupção na queda dos juros em janeiro e mantém o ritmo menor até este mês. ''As pessoas são mais sensíveis às más notícias. Elas reagem rapidamente e os negócios travam na ponta'', diz o supervisor-geral da rede, Valdemir Colleone. Em contrapartida, quando o custo do dinheiro diminui, a reação vem a médio prazo.
Antonio Carlos Romanoski, presidente da Atlas, fabricante de fogões, é outro que ainda não sentiu nas vendas o efeito da última redução da Selic. ''Quando o juro básico cai, a referência é positiva.'' Ele pondera, no entanto, que há um intervalo maior para que o consumidor absorva a redução nos juros e readquira confiança para assumir novas dívidas.
O que os dois empresários constatam na prática é corroborado pelos economistas. Fábio Silveira, da MS Consult, que avaliou a relação entre a evolução da Selic e o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), diz que vê alguma relação entre as duas variáveis. Ressalva, porém, que ela não é perfeita e imediata. Depois de observar a série histórica dos dois indicadores, ele destaca que a desconfiança do consumidor persiste por algum tempo, mesmo após a redução dos juros.

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