Para Wall Street, trégua será curta
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segunda-feira, 22 de agosto de 2005
Agência Estado 
Nova York - O desempenho do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na entrevista coletiva concedida domingo, desfez o cenário de ''pesadelo'' temido pelos analistas em Wall Street durante o fim de semana. Mas a duração dessa tranquilidade pode não ser muito longa, avaliam analistas de Nova York ouvidos pela Agência Estado. ''A entrevista do ministro Palocci permitirá uma trégua no curto prazo, mas os investidores sabem que a turbulência está longe de acabar. Não me surpreenderia se novas denúncias e acusações contra Palocci vierem à tona'', diz o diretor de pesquisa para mercados emergentes da consultoria CreditSights, Christian Stracke.
Tão importante quanto a negativa de Palocci em relação às denúncias do ex-assessor Rogério Buratti, destaca Stracke, foi a reação da oposição ao governo Lula. ''A reação da oposição ontem tranquilizou-me bastante. Isso mostra que a oposição não quer desestabilizar a economia''.
Para ele, a reação dos partidos de oposição é um indicador de que, pelo menos no curto prazo, a crise política ''não sairá do controle como uma bola de neve''. Porém, argumenta Stracke, as investigações das CPIs prosseguem e nunca se sabe se surgirão novas evidências.
Na opinião do estrategista de dívida para a América Latina, John Welch, a defesa feita por Palocci foi importante e muito positiva. ''Proporcionará algum alívio para os mercados, mas os riscos de novas denúncias ainda existem'', disse Welch. ''É difícil acreditar que Palocci, como ex-prefeito e participante da campanha de Lula à presidência da República, não tinha nenhum conhecimento do tipo de financiamento de campanha que tem vindo à tona nas últimas semanas'', observa.
Para Welch, o nome de Palocci poderá voltar à cena de novo nesta semana quando os advogados da Gtech (empresa envolvida no escândalo investigado pela CPI dos Bingos) e da Leão & Leão testemunharem. Welch acredita que, para aliviar o estresse do mercado mais ainda, a equipe econômica poderá anunciar novas medidas de restrição fiscal nesta semana. Ele também vê como positiva a reação da oposição à entrevista de Palocci. ''A oposição quer que o governo mantenha as políticas econômicas em curso e é rápida em proteger o ministro Palocci'', disse Welch.
Nome do jogo - Já os analistas de mercados emergentes do banco BNP Paribas, em nota a clientes, observam que a imediata resposta do ministro Palocci às acusações, negando enfaticamente qualquer irregularidade, ''contribuirá para reduzir hoje o impacto de mercado de qualquer nova rodada de evidências de corrupção envolvendo o ministro''. Os analistas disseram ainda que o ambiente internacional benigno em termos de crescimento econômico mundial e de liquidez também ajuda na estabilização do mercado brasileiro.


