São Paulo - A possibilidade de liberação do uso de celulares durante os vôos, embora ainda restrita ao espaço aéreo da União Européia (UE), já provoca polêmica entre os usuários brasileiros. A principal questão levantada por empresários e executivos brasileiros, que usam o transporte aéreo semanal ou quinzenalmente, é a chance de a conversa de um passageiro importunar os vizinhos.
Para alguns, de simples incomodação o celular a bordo pode se tornar um martírio. Argumentos contra a iniciativa existem de sobra. Desde o constrangimento de ouvir o ilustre desconhecido ao lado discutindo questões familiares até o fim do sossego de um dos últimos redutos ''desplugados'' do mundo moderno.
''Vai ser um desastre'', resume Glória Kalil, jornalista e consultora de moda e etiqueta. ''Celular em público já incomoda, mas ao menos você tem a opção de se afastar ou ir para um local reservado. No avião, você está colado à pessoa do seu lado. Não tem para onde fugir'', analisa. Ela acredita que o reduzido espaço dos assentos nas aeronaves vai tornar a atividade ainda mais constrangedora para o(s) vizinho(s).
A solução é simples, na opinião da consultora. Ela sugere que, assim como algumas companhias aéreas fizeram com os fumantes, seja criada uma sala fechada nos fundos do avião. Separado do resto dos assentos, o local serviria para que passageiros recebam e façam seus telefonemas. ''É a única maneira de colocar essa tecnologia no ar sem incomodar os que queiram dormir ou viajar tranquilamente, como sempre fizeram''. Ela defende que, no Brasil, as companhias aéreas que queiram implantar a tecnologia sejam obrigadas a construir o espaço reservado.
O diretor-geral da rede de hotéis Accor, Roland de Bonadona, apóia a idéia de ''segregação''. O executivo, que vive em São Paulo, viaja duas vezes por semana para algum destino no Brasil e ao menos três vezes ao mês para países da América Latina. A cada três meses, também vai à Europa ou aos Estados Unidos.
''É um momento que aproveito para ler, limpar minha caixa de e-mails e principalmente descansar, justamente porque não posso receber ligações''. Para ele, a possibilidade de ter alguém falando a seu lado vai trazer desconforto. ''Na entrada e saída do avião você já recebe seus recados. Não é preciso toda essa urgência. Há dez anos, não existiam esses recursos e a vida seguia normalmente'', afirma.

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