A constatação de que os anos de contribuição ao INSS vão resultar em uma aposentadoria que passa longe da renda obtida na vida ativa é um dos impulsos que levam cada vez mais brasileiros a se interessar pelos planos de previdência privada - a chamada previdência complementar. Segundo a Federação Nacional de Previdância Privada e Vida (Fenaprevi), o mercado de previdência privada aberta reúne hoje 14 milhões de contas com R$ 175 bilhões de ativos. A estimativa é fechar o ano com 16% de crescimento na contribuição em relação a 2008, atingindo R$ 180 bilhões de ativos.
Este mercado começou a ganhar força há cerca de seis anos, com a popularização dos planos. Mas, entre tantas opções, como escolher a mais adequada e quando aderir? ''O quanto antes, melhor'', indica Carlos Roberto Ferreira, professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele observa que a previdência privada é uma ''alternativa muito interessante de complemento de renda no futuro'', além de ser importante para a nação. ''Esses fundos contribuem para o desenvolvimento e crescimento do país. Dá solidez para a economia. Veja o exemplo do Japão. Poupa-se muito por lá'', argumenta o economista
O primeiro passo para quem quer investir é verificar a solidez da instituição financeira (banco ou seguradora). ''O Banco Central está atuando para ver a solidez das carteiras. Neste sentido, cabe uma pesquisa de mercado'', orienta Ferreira.
Existem os planos individuais - contratados por pessoa física, com os próprios recursos, formando um fundo de reserva a fim de garantir benefícios para si próprio e/ou seus respectivos beneficiários - e os planos empresariais ou coletivos - contratados por pessoas jurídicas, destinados às pessoas físicas vinculadas a empresa e de livre adesão. Nas modalidades para menores de idade, deve haver um contratante (responsável financeiro) em nome da criança ou jovem menor de 21 anos.
Na hora de contratar o plano, a pessoa escolhe quanto tempo quer contribuir e o quanto deseja investir. ''Você define quanto vai pagar por mês, mas sempre que tiver uma folga no orçamento é bom reforçar (a contribuição), pois vai garantir uma renda maior lá no final'', afirma Ferreira.
Antes de decidir, o investidor pode fazer uma simulação de quanto vai receber ao final do período de contribuição. Hoje, uma pessoa de 30 anos, que queira chegar aos 60 com uma renda em torno de R$ 1,5 mil, começa investindo por volta de R$ 100 mensais. Se a adesão ao plano for feita aos 40 anos, a constribuição sobe para R$ 320; e aos 50, para R$ 1,2 mil. ''Por isso, a recomendação é começar cedo'', reforça o professor.
Os dois principais produtos oferecidos por bancos e seguradoras são: o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). O PGBL é a melhor opção para quem declara imposto de renda pelo modelo completo. Esta modalidade permite deduzir do IR as contribuições equivalentes a até 12% da renda bruta anual. Já o VGBL é indicado para o investidor que faz declaração simplificada. Trata-se de um seguro de vida com caráter previdenciário por possuir cobertura por sobrevivência. Este plano não concede abatimento no IR, mas tem a vantagem de cobrar o imposto apenas sobre o rendimento - e não sobre o total acumulado no plano, como acontece no PGBL.
Além da modalidade, Ferreira recomenda ficar atento às taxas. ''Existe a taxa de carregamento, onde a instituição cobra até 5% sobre o valor que você deposita. E sempre há diferença de uma empresa para outra. Como são planos de longo prazo, meio por cento já dá uma diferença enorme. Daí a importância da pesquisa'', diz Ferreira.
Ele destaca que é possível resgatar o dinheiro aplicado a qualquer momento, mas há perdas. ''O ideal é esperar o final do contrato'', diz. No contrato, o investidor vai definir de que forma quer receber o dinheiro: tudo de uma vez, parcelado por um período determinado ou como renda vitalícia. ''É possível especificar outros itens, como: para quem vai a renda caso o titular venha a falecer ou se o pagamento será cessado com o falecimento. Mas, tudo isso implica na cobrança de percentual sobre o valor investido'', pondera Ferreira.
O investidor que não ficar satisfeito com os serviços pode se beneficiar da portabilidade, que lhe dá o direito de migrar de instituição financeira sem cessar o plano. ''Este não é o tipo de investimento para fazer e esquecer. Tem que ficar atento, acompanhar. Se a pessoa, por algum motivo, não estiver satisfeita, ou se existir algo melhor no mercado, é recomendável fazer a transferência'', observa o economista.

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