Para Tápias, retaliar o Brasil é a pior solução
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de dezembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, disse ontem que o Canadá escolheu a pior solução possível para resolver a disputa com o Brasil em torno da indústria aeronáutica. Na avaliação do ministro, faltou compreensão e flexibilidade aos canadenses para que a disputa fosse transformada em um processo de intensificação das negociações que levassem ao incremento de negócios entre os dois países.
A solução de retaliação, segundo Tápias, vai restringir os negócios entre os dois países. Isso está na contramão do mundo. Não interessa ao Canadá nem ao Brasil, afirmou. O ministro previu que a própria indústria canadense não gostará dessa decisão e tentará mudá-la no futuro.
Ele disse ainda que o Brasil, no momento, tem de cumprir o que foi decidido e lutar no futuro para demonstrar que o País está sendo punido por ser transparente e que o Canadá concede subsídios implícitos a Bombardier. O chefe da área Econômica do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, ainda não acredita que o Canadá possa exercer o direito de retaliar o Brasil em US$ 1,4 bilhão. Segundo ele, o Brasil já ofereceu tudo o que podia em termos de compensações e já fez as reformas no Programa de Financiamento às Exportações (Proex), aplicado às aeronaves, recomendadas pela OMC.
O ministro do Comércio Internacional do Canadá, Pierre Pettigrew, disse ontem que o Canadá foi muito claro sobre como o Brasil deveria alterar o Proex aplicado ao comércio de aeronaves. Na ausência das mudanças necessárias, estamos prontos para exercer nossos direitos na OMC.


