O financista norte-americano George Soros disse ontem, em Davos, na Suíça, onde participou do Fórum Econômico Mundial, que o real brasileiro está ‘‘excessivamente desvalorizado’’, depois de sua ‘‘supervalorização’’ anterior, e propôs uma ajuda do setor privado para o País. Soros disse ainda que o pacote de US$ 41 bilhões prometido e entregue parcialmente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Brasil é insuficiente, embora não tenha se pronunciado sobre o quanto deveria ser aumentado. ‘‘Não acho que se precise de muito mais para manter a situação’’, disse Soros, ao ser perguntado sobre uma quantia exata, durante uma coletiva de imprensa.
Soros manifestou-se em termos vagos em favor de uma ajuda financeira do setor privado ao Brasil, levando-se em conta, assinalou, que ‘‘40% do setor bancário brasileiro está em mãos estrangeiras’’. A possibilidade de criar um conselho monetário para estabilizar a pressão contra a moeda brasileira ‘‘é uma possibilidade a longo prazo’’, disse Soros. ‘‘Por ora, as condições não são propícias’’, acrescentou. ‘‘Foi uma decisão desastrosa porque reforçou a pressão sobre a moeda’’, assinalou depois o ‘‘mago’’ das finanças internacionais ao ser indagado sobre o aumento dos tipos de juros decretado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso para frear a sangria de capitais estrangeiros.
‘‘Não existe um sistema de câmbio perfeito. É como o casamento: a alternativa sempre parece melhor’’, assinalou Soros. Em todo caso, disse, ‘‘agora é preciso um muro de dinheiro que estabilize a situação porque todas as pré-condições estão ali’’, em referência à bateria de medidas de redução fiscal aprovadas pelo parlamento brasileiro.
Soros também recomendou ao governo brasileiro que, enquanto puder, ‘‘peça emprestado a curto prazo em dólares’’, já que o real está em baixa mínima. Anteontem, o vice-diretor do FMI, Stanley Fischer, que deve ir hoje à Brasília participar nas negociações, indicou, em Davos, que a desvalorização do real foi ‘‘inquestionavelmente muito longe’’, e que se o Brasil tomar ‘‘medidas como as das últimas semanas’’, o fim da crise não está longe.
O real ultrapassou na sexta-feira passda a barreira psicológica dos dois reais por dólar, o que levou Soros a pedir, em Davos, a colaboração do setor privado para frear a sangria de capital estrangeiro.
O financista internacional, que regularmente solicita - através de livros e artigos -, a reforma das instituições internacionais, é partidário de criar, tendo como base o FMI e o Banco Mundial, uma espécie de ‘‘superbanco’’, que, com a desvalorização da situação de cada país (ao estilo das agências de classificação como a Moody’s), conceda créditos e ajudas.
‘‘Seria útil ter um elemento futuro de empréstimo público e privado’’, mediante os fundos do G7, ‘‘e que abriria de novo o mercado brasileiro para o investimento estrangeiro. Não se pode forçar os bancos, mas acho que 40% do sistema bancário brasileiro está em mãos estrangeiras, dessa forma esses bancos certamente têm interesse no Brasil; trata-se de um interesse coletivo’’, disse Soros.
Soros assinalou que o governo brasileiro deverá colaborar para que os bancos voltem ao mercado. ‘‘Tem de valer a pena, tem de ser benéfico para os bancos’’.Patrick Aviolat/France Presse‘Mago das finanças’Soros: ‘‘Não existe sistema de câmbio perfeito. É como casamento: a alternativa sempre parece melhor’’France Presse

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