Para Sindicombustíveis, preço da gasolina não cai
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sábado, 18 de novembro de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Não há certeza no mercado de combustíveis de que o preço da gasolina deva cair mesmo a partir de segunda-feira, quando o porcentual de álcool anidro no produto deve passar de 20% para 23%. O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Paraná (Sindicombustíveis-PR) acredita que o preço da gasolina não tenha redução porque o álcool está entrando em período de entressafra e, por isso, não ficaria mais barato. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) prevê uma redução de 1,5% no preço do litro da gasolina, o que deixaria o produto de R$ 0,03 a R$ 0,04 mais barato para o consumidor final.
No final de outubro, o governo anunciou que o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima) havia decidido elevar o porcentual de álcool na gasolina. ''Não sabemos nem o preço que o álcool vai estar na segunda-feira'', disse o presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese. Segundo ele, se as distribuidoras repassarem alguma queda de preços para os postos, isso irá para o bolso do consumidor.
O sindicalista disse que, como o álcool está entrando em período de entressafra, não vê com muito otimismo uma possível queda de preços. ''O aumento do porcentual de álcool na mistura está sendo feito em um momento inoportuno, na entrada da entressafra que começa daqui 15 dias'', destacou. Ele lembrou que, com isso, serão 300 milhões de litros de álcool a menos no mercado o que deve provocar pressão no preço do produto. Caso os preços do álcool continuassem os mesmos, ele estima que o impacto para o valor do litro da gasolina seria de R$ 1,014.
O economista do Dieese, Sandro Silva, disse que o preço da gasolina a partir de segunda-feira vai depender muito de qual vai ser a margem de lucro que os postos vão praticar. Ele destacou que, normalmente, os efeitos da entressafra demoram um pouco para ocorrer. ''A alta mais expressiva do álcool é a partir de janeiro e o pico da entressafra acontece de março a abril'', disse.
Silva lembrou que os próprios produtores de álcool fizeram uma campanha grande para aumentar o porcentual do produto na gasolina porque estão com um bom estoque. A reportagem procurou a Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcopar) para que a entidade comentasse o assunto mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
Hoje, a gasolina é vendida, em média, por R$ 2,55 o litro e o álcool por R$ 1,55 na Capital. Estes preços vêm sendo mantidos desde a segunda semana de outubro. O Dieese explica que o preço da gasolina teria subido no último mês em função do aumento da margem de lucro dos postos. Já o Sindicato dos Postos esclareceu que a margem de lucro é de aproximadamente R$ 0,20 por litro no caso da gasolina e que a Capital estava com preços anormais em relação ao restante do País, em setembro, devido ao álcool que entra no Estado de maneira clandestina e em função da concorrência entre as distribuidoras. ''Quem comanda a oscilação de preços são as distribuidoras'', disse.


