Curitiba - Os problemas operacionais no Porto de Paranaguá não demoraram mais que as oito horas em que ficou paralisado devido à interdição imposta pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entre a tarde de quinta-feira e a madrugada de sexta da semana passada, por falta de respostas sobre o cronograma para conseguir licenciamento ambiental. Regularizada a operação, a dúvida continua sendo a da imagem do porto perante a comunidade marítima internacional.
''Ainda bem que se reverteu quase de imediato, mas na realidade o porto perde credibilidade'', lamentou o vice-presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado do Paraná (Sindapar), Argyris Ikonomou. ''Temos que esperar para ver como isso vai repercutir, se vai ter efeito colateral prejudicial, ou se ficará apenas no susto.''
A decisão do Ibama foi derrubada por meio de liminar concedida pela Justiça Federal em Paranaguá. No despacho, o juiz Marcos Josegrei da Silva determinou que a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) apresente, no prazo de 30 dias, um cronograma de ações visando conseguir o licenciamento ambiental. A falta de cumprimento de prazos estabelecidos em termos de ajustamento de conduta levou o Ibama a decretar o embargo das atividades no porto. ''Para nós, essa decisão balançou menos do que lá fora'', acentuou Ikonomou.
Segundo o vice-presidente do Sindapar, o problema existe e algo precisa ser feito, mas ele discordou da forma como o Ibama agiu, pois a nova administração da Appa assumiu recentemente e vinha trabalhando para regularizar a questão. ''Todo mundo está empenhado'', afirmou. Hoje, o superintendente da Appa, Mário Lobo Filho, deve se reunir com o presidente do Ibama, Abelardo Bayma, para apresentar os planos que já foram discutidos. ''Se começar a caminhar já é alguma coisa'', destacou Ikonomou.
O presidente do Sindicato dos Estivadores de Paranaguá, Antonio Carlos Bonzato, ressaltou que os trabalhadores não tiveram perdas durante o período em que o porto ficou parado. ''A retomada foi rápida, por isso não computamos como perda'', disse. ''Esperamos que não se repita, que o porto e toda a comunidade portuária, da qual fazemos parte, consiga viabilizar o licenciamento.'' Ele lamentou apenas que o episódio tenha ''manchado'' o nome do porto.

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