Para sindicalista, uma 'provocação'
Lideranças sindicais e economistas ligados aos sindicatos de trabalhadores criticaram o reajuste do salário mínimo para R$ 136, anunciado ontem. Além disso, eles acusam o governo federal de não ter uma política de melhoria dos rendimentos dos trabalhadores.
O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, classificou o reajuste concedido pelo governo, de 4,61%, de desrespeito ao trabalhador. É uma provocação anunciar um aumento de R$ 6 para um salário que já é baixo. Os remédios e outros itens estão subindo muito mais, disse.
Na opinião do presidente da CUT, o governo não tem política para o salário mínimo, o que acaba significando arrocho salarial. Cerca de 15 milhões de trabalhadores dependem do salário mínimo, diferentemente do que o governo diz, afirmou Vicentinho.
A CUT defendia reajuste de aproximadamente 45% no valor do salário mínimo, para R$ 188, e para R$ 277,30 no ano 2000, de forma a equivaler à média atual dos países do Mercosul. Na Argentina, segundo a CUT, o mínimo corresponde a R$ 376. No Uruguai, o valor é de R$ 338,40. No Paraguai, chega a R$ 263,20.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, afirmou que o reajuste anunciado ontem pelas autoridades foi lamentável. O governo deveria ter vergonha de anunciar um salário desse, declarou o sindicalista. Para ele, falta ao governo uma política de recuperação, a longo prazo, do valor do salário mínimo. A Força Sindical reivindicava reajuste maior para o salário mínimo neste ano, de forma que chegasse a R$ 170 - cerca de 30% acima do valor vigente até hoje.
De acordo com cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a variação do salário mínimo serve de balizamento para o comportamento dos demais salários da economia. Quase metade dos trabalhadores com alguma ocupação no Brasil ganha até dois salários mínimos, afirma José Maurício Soares, economista do Dieese. Segundo a entidade, para cobrir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo deveria ser de R$ 892. O salário mínimo foi criado em 1940. Seu poder de compra, no ano passado, correspondia a cerca de 25% do que era na época em que foi instituído.





