Para Sescap, crise pode afetar construção civil
O sonho não acabou, mas a crise americana e européia fez o setor da construção civil brasileira acordar e colocar os pés no chão. Embora se diga otimista o diretor da Quadra Construtora, empresa de Londrina, Luiz Carlos Mouro Pires, afirma que um redimensionamento dos negócios imobiliários é inevitável para as construtoras que querem sobreviver à crise iminente.
Ele fala principalmente das empresas que lançaram ações na Bolsa e captaram muitos recursos para financiar as obras, colocando lançamentos ''na planta'' em excesso à venda. Explica que construtoras com este perfil vão ter dificuldades para cumprir os compromissos assumidos frente aos investidores; bancos e clientes.
''Aqui no Brasil também vivemos momentos de euforia, com um crescimento muito rápido no volume de obras e negócios e a supervalorização de imóveis e insumos, resultado de apostas no mercado futuro''. Pires acredita, no entanto, que a crise vai trazer o setor de volta à ''normalidade'' e que mesmo diante dos problemas haverá crescimento.
Parte do otimismo do diretor da Construtora Quadra se baseia na confiança e na postura do governo que vem garantindo a manutenção dos investimentos na construção civil, com promessas de não alterar a oferta de crédito para os compradores. Opinião que não é inteiramente partilhada pelo presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), o contabilista José Ribeiro.
Para ele, o risco da crise se aprofundar no Brasil é real. ''Os riscos são mais sérios do que o governo quer admitir. E, embora acredite que estamos bem estruturados, tenho a clareza de que nós também vamos sofrer com a crise. O momento exige cautela'', alerta.
Ribeiro está preocupado com as consequências sociais e econômicas e com a fragilidade das construtoras que não estão capitalizadas para manter os compromissos assumidos. E entre os possíveis efeitos da crise ele cita o risco do atraso e até a não entrega dos imóveis não iniciados, mas já comercializados
''As construtoras que dependem de financiamento estão em uma situação delicada. De um lado estão os bancos que apesar de todos os esforços do governo já mostram sinais de recuo com a redução da oferta de crédito e aumento das taxas de juros e do outro têm os clientes que, com a crise podem perder capacidade de endividamento'', analisa.
Só no ano passado os investimentos da cadeia de construção civil somaram R$ 205,34 bilhões em 2007, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). E a carga tributária gerada pelo setor foi de R$ 44,210 bilhões em 2007, valor que correspondeu a 23,6% do PIB.
A construção civil é também o setor que mais emprega. Ocupou 6,343 milhões de trabalhadores no ano passado e, no primeiro semestre deste ano registrou um aumento de 17% nas contratações.
Pires confirma que a situação das construtoras com ações na Bolsa de Valores é delicada. Mas garante que apesar do ''quadro cinza'' pintado pela crise, Londrina está ''segura''. Explica que, historicamente, aqui, as construtoras trabalham dentro de um sistema diferenciado, com baixo ou nenhum endividamento. ''As empresas locais com projeção regional estão capitalizadas, têm como garantir os prazos e entrega dos imóveis '', tranquiliza. Só a Construtora Quadra tem hoje 5 empreendimentos em andamento e dois lançamentos.
Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





