A venda da Ask!, empresa de apoio e terceirização de serviços de call center do Grupo Sercomtel, é a prioridade da companhia para o ano que vem. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da empresa, João Rezende, em audiência solicitada pelo vereador Carlos Alberto Bordin (PPB) para prestação de contas da companhia. Junto com a Adatel TV (empresa de TV a cabo) a Ask!, a Sercomtel Internet e a Onda, as coligadas à Sercomtel já acumulam dívidas de R$ 68 milhões. A preocupação para 2004 é arrumar parceiros comerciais ou compradores para as empresas deficitárias, evitando o comprometimento dos dividendos da Sercomtel Celular com as demais coligadas.
Na audiência, Rezende aproveitou para reafirmar a posição da presidência do Grupo Sercomtel de não vender a divisão de celulares. ''Essa hipótese está totalmente descartada, pois a empresa tem saúde financeira e está apta a enfrentar a concorrência das operadoras atuantes em Londrina.'' Segundo dossiê apresentado pela empresa, a Sercomtel Celular acumula, até outubro, lucro líquido de R$ 3,5 milhões. Além da Sercomtel Celular, a divisão de telefonia fixa e a Sercomtel by Internet são as outras empresas do grupo com saldo positivo. Todas as demais operam em déficit.
Tomadas como os dois maiores problemas para a Sercomtel pela atual administração, a Ask! e a Adatel TV estão oficialmente à venda desde 2001. Rezende acredita que a companhia não enfrentará dificuldades em encontrar parceiros ou compradores para a empresa de call center, atualmente com dívidas estimadas em R$ 14,4 milhões. ''Apesar de operar no vermelho, a Ask! tem seus serviços muito valorizados. Por isso devemos priorizar sua venda, antes que a desvalorização aconteça.'' De acordo com estimativas da Prefeitura, a reestruturação do quadro funcional e financeira da Ask! nos últimos três meses permitem projeções otimistas para a empresa a partir do ano que vem.
No caso da Adatel, o problema é maior. ''A baixa rentabilidade e o número reduzido de assinantes fazem com que a situação da TV seja preocupante'', afirma Rezende. As duas empresas da Adatel, que atuam em Osasco e São José, ambas em São Paulo, respondem por mais da metade das dívidas do Grupo Sercomtel: cerca de R$ 48 milhões. As dívidas da Adatel são resultado principalmente de financiamento de equipamentos indexados à variação cambial.
O fechamento da empresa foi descartado por Rezende. ''Primeiro teríamos que dar satisfações à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que regulamenta esse tipo de coisa. Depois, todos os equipamentos parados só ampliariam os prejuízos.''
Para o vereador Carlos Alberto Bordin, a audiência se prestou a esclarecer as dúvidas da Câmara quanto à situação financeira da Sercomtel Celular. ''Já havíamos pedido uma prestação de contas e não ficou claro se a divisão de celulares também acumulava dívidas. Agora tudo foi resolvido'', disse.

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