O secretário municipal de Fazenda de Londrina, Luís César Guedes, defendeu ontem que a elasticidade do horário do comércio da cidade deve ser resolvida entre os sindicatos que representam os empresários e os trabalhadores do setor. A declaração do secretário ocorre em um momento em que os empresários voltam a debater a ampliação do horário do comércio de Londrina. Segundo o Código de Posturas do Município, o comércio deve funcionar das 8 às 18 horas nos dias de semana e das 9 às 13 horas aos sábados.
‘‘O horário do comércio é um problema entre patrão e empregado’’, afirmou o
secretário de Fazenda. Segundo ele, tão logo comerciantes e trabalhadores cheguem a um entendimento, a prefeitura poderá enviar um projeto de lei à Câmara de Vereadores alterando o Código de Posturas. Ele ressaltou, no entanto, que esta alteração não se estende a itens como localização e problemas de produção de ruídos, também previstos na legislação.
Segundo Guedes, lojistas necessitam de maior elasticidade no horário de abertura e fechamento de lojas como forma de reduzir o custo operacional. Por outro lado, entende o secretário, os comerciários têm o direito de reclamar porque muitas vezes eles não recebem seus direitos trabalhistas. O secretário disse ser favorável à elasticidade do horário como forma de contemplar maior número de clientes. ‘‘Acredito que o ideal é variar a abertura e o fechamento do comércio de acordo com a necessidade de cada setor’’, afirmou.
Ontem, primeiro dia de atividade do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Sinézio Scudeler, o assunto voltou à pauta das reuniões de diretoria. Juntamente com demais diretores, o presidente começou a debater a estratégia para retomar as negociações visando ampliar o horário comercial.
‘‘Se não houver um acordo este ano, o comércio do centro de Londrina será aniquilado’’, afirmou Scudeler. Ele disse que a prefeitura precisa participar deste processo de debate e, em nome disso, entregou ao prefeito Antonio Belinati uma proposta formal pedindo que o horário seja liberado para o comércio da cidade. A reivindicação foi entregue na semana passada, durante a posse da nova diretoria do Sincoval.
Segundo o documento, algumas lojas de departamentos são privilegiadas com horário diferenciado, funcionando até às 19 horas nos dias de semana e até às 18 horas aos sábados. No documento o Sincoval questiona o privilégio destes estabelecimentos, afirma que esta diferenciação prejudica lojas do centro e dos bairros da cidade e pede que a prefeitura torne livre o horário comercial da cidade.
O presidente do sindicato dos trabalhadores do comércio de Londrina, José Lima do Nascimento informou ontem que a entidade sempre esteve disposta a negociar. ‘‘Mas quem determina o que podemos fazer é sempre a categoria’’, afirmou o presidente. Segundo ele, lojas com horário ampliado não necessariamente vendem mais. Para o sindicalista, boas vendas estão ligadas ao poder aquisitivo da população. ‘‘O trabalhador brasileiro perdeu 10,4% de seu salário em 98, isto representa menor poder de compra’’, afirmou Lima.

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