Para se fartar de carnes, renuncie a salgados e saladas
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sábado, 13 de agosto de 2005
Quanto mais vazio o estômago menos carne se come 
A linguiça é o sinal dos tempos. Ela surge quando o cliente chega ao rodízio faminto para saciar a fome, passa várias vezes entre uma tira de fraldinha e um bifinho de alcatra e volta ao final da ceia rechonchuda. Há especialistas que contabilizam o número de arapucas de uma churrascaria de preços populares. Não são todas as casas que as armam, mas as práticas são conhecidas. O freguês que quer pagar pelo filé mignon o valor que pagaria por acém se dá bem se entrar no rodízio como quem joga um jogo.
''Quanto mais vazio o estômago estiver no momento em que o cliente entrar na casa, menos ele vai conseguir comer'', diz o maitre Vandir Vieira, de uma grande churrascaria de São Paulo. ''Evite pegar as carnes da primeira vez que passarem. Deixe que todas passem para você escolher primeiro'', diz o gerente do Tendal, Vagner Denardi.
As dicas que eles não podem dar também são importantes. Os primeiros pedaços que aparecem à mesa são frango, linguiça, coração e cupim. São as carnes de abertura, extra-oficialmente chamadas de ''enche-barriga''.
Antes de chegar às grandes carnes o sujeito deve passar por tentações que podem levá-lo a uma congestão antes mesmo de sentir o cheiro da maminha. É um tal de porção de pão de queijo, de batata frita, de polenta frita, de banana frita, tudo surgindo à mesa milagrosamente sem que ninguém tenha pedido absolutamente nada. Licores e batidas de entrada podem saciar de prazer os iniciantes por singela cortesia da casa.
E vem a picanha. Quem a traz é um homem experiente, geralmente mais velho que os outros, e que vive sempre entre o espeto e a brasa. Sabe que o cliente o espera com olhos de leão, mas não pode saciá-lo de uma só vez. São duas, no máximo três fatias finas, aí ele já segue para outra mesa antes de recolocar o espeto no fogareiro. O homem da picanha é um psicólogo que trabalha a frustração dos outros com técnica e simpatia. Depois de deixar as microfatias no prato do esfomeado, promete voltar em breve com a carne mais no ponto... e desaparece. O ideal é esperar que ele volte com a paciência de quem vai saborear a vingança como prato quente. E bom apetite. (Agência Estado)


