Para Sachs, socorro seria receita para o desastre
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
France Presse 
Um pacote de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) destinado ao Brasil significará uma receita para o desastre, disse ontem o economista Jeffrey Sachs. Sob as condições usuais, um pacote do FMI só vai piorar as coisas e poderia deprimir ainda mais a economia brasileira, disse Sachs, diretor do Instituto de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, em seminário em Washington.
Cada um dos programas do FMI do último ano fracassou porque todos previram políticas que (...) em vez de reduzir o pânico só fizeram aumentá-lo, destacou o economista. É provável que aconteça o mesmo no Brasil com um novo pacote, afirmou, em alusão às expectativas de que o País peça ajuda ao FMI depois das eleições de domingo.
Disseram que na próxima semana teremos que emprestar 50 bilhões de dólares para salvar o real (...) Eu diria que esta é uma forma equivocada de abordar a crise, destacou Sachs. Um pacote com essas características é uma receita para o desastre, para o desperdício de nosso dinheiro e para deprimir a economia do Brasil.
O economista-chefe do FMI, Michael Mussa, defendeu os esforços empreendidos desde o ano passado pelo Brasil para manter o valor da moeda e destacou que qualquer desvalorização é preocupante, devido à possibilidade de uma volta à hiperinflação.
A possibilidade de desvalorização da moeda, uma questão que costuma ser tratada com cuidado pelo Fundo Monetário Internacional, também foi mencionada ontem pelo conselheiro econômico e diretor de pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa. A desvalorização é um caminho, disse Mussa à agência Dow Jones International News Service, falando sobre o Brasil. Eles poderiam ajustar o câmbio devagar, afirmou Mussa, ignorando, aparentemente, o apoio que o diretor gerente do FMI, Michel Camdessus, tem dado ao governo Fernando Henrique Cardoso, que pretende manter a política cambial de desvalorizações paulatinas.


