Para que o 13º não acabe em dívidas
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Os trabalhadores brasileiros irão utilizar o dinheiro do 13º salário para o pagamento de dívidas. Segundo uma pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), 64% dos consumidores pretendem pagar dívidas com o 13º salário - um resultado quatro pontos porcentuais acima do registrado no ano passado (60%). Apenas 1% dos pesquisados planejam poupar parte dos recursos. Em 2008, esse número era de 2%. A pesquisa foi realizada com 624 consumidores de todas as classes sociais, na cidade de São Paulo, no mês de outubro. O objetivo foi identificar como será usado o 13º, que será pago em 30 de novembro (1 parcela) e 20 de dezembro (2 parcela).
Em Londrina os assalariados também costumam utilizar o salário extra para saldar dívidas. O assessor de imprensa da Associação Comercial de Londrina, Roberto Francisco, explica que não há pesquisa, mas a partir de dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) é possível verificar que cerca de 35% das pessoas usam o 13º para retirar o nome do cadastro. ''Em dezembro tradicionalmente se verifica que há uma aumento significativo no número de pessoas que conseguem retirar o nome do cadastro.'' A compra de presentes, a reforma nos imóveis e a poupança são outras destinações comuns para o dinheiro.
O diretor do curso de Administração da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), Campus Londrina, Charles Vezozzo, diz que no Brasil há uma forte inclinação para o consumo e uma baixa propensão para a poupança. Segundo ele, qualquer pessoa, independente da renda, pode planejar melhor suas finanças. ''É preciso fazer este planejamento durante todo o ano para não ter que destinar o 13º ao pagamento de dívidas.'' Dados de uma recente pesquisa do IBGE mostram que apenas um em cada cinco brasileiros consegue chegar ao final do mês com salário.
Vezozzo explica que o primeiro passo para organizar as finanças é fazer um diagnóstico, colocar no papel todos os gastos e os ganhos (salários da família). ''É preciso visualizar a situação financeira da família, não se pode deixar de fora nenhum gasto para que o diagnóstico seja realista. Se você gasta mais do que ganha o saldo será negativo e mudanças serão necessárias para sair dessa situação.''
Após o diagnóstico, avaliar se o padrão de consumo está adequado à renda. ''Se você for escravo do padrão de consumo não há planilha que faça seu orçamento funcionar. Cada um tem que ter um padrão de consumo adequado à sua realidade, consumir racionalmente.'' O segundo passo é estabelecer prioridades em comum acordo. ''A família deve traçar as prioridades junto e ajustar essas prioridades à realidade financeira dela.'' Para quem tem dívidas, por exemplo, a prioridade deve ser a quitação delas o mais rápido possível.
Segundo Vezozzo, há três grupos grandes grupos a se considerar ao estabelecer prioridades: primeiro - habitação, alimentação, saúde e trabalho (necessidades básicas que precisam ser supridas); segundo - deslocamento, educação e vestuário; terceiro - poupança, viagens, projetos secundários. ''Essas prioridades serão modificadas de acordo com a necessidade de cada família, por exemplo, se já possui casa própria a habitação pode ir para outro grupo e a educação vir para o primeiro.''
Depois de feito o diagnóstico, eleitas as prioridades é hora de fazer uma planilha. Ela é fundamental para que se possa acompanhar mês a mês os gastos e rendimentos e fazer os ajustes necessários. Na internet é possível encontrar modelos já prontos de planilha que podem ser adequadas às necessidades da família. Vezozzo ressalta que não se pode esquecer nenhuma despesa, mesmo as eventuais como aniversários, roupas e calçados. Não esquecer também de incluir na planilha a poupança. ''Aconselho guardar 10% do salário, mas quando isso não for possível destine ao menos 1% ou 2%. Além da poupança, sempre que possível, ter em reserva o equivalente a seis meses dos seus gastos, porque esse é o tempo médio para se recolocar no mercado em caso de demissão.''
Uma dica de Vezozzo para realizar compras mais conscientes é aplicar os três ''Ps'' - Por que comprar? Preciso disso agora? Posso pagar isso agora?. ''Aplicando essa técnica se evita gastos desnecessários. Você passa a comprar apenas aquilo que realmente precisa e pode pagar. Fazendo um planejamento desde o início do ano, você terá um final de ano mais tranquilo, inclusive com sobra de dinheiro. O fundamental não é o quanto você ganha, mas como você gasta.''


