O professor de desenvolvimento econômico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fábio Scatolin, afirma que o Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES) realmente reflete a realidade brasileira de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), se comparado à dos demais países que compõem o estudo. Entretanto, ele observa que, diferentemente do Brasil, os outros colocados fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países mais ricos do mundo.
De acordo com ele, é necessário levar em conta que o IDH mede renda, longevidade e educação, mas seus resultados são muito influenciados pela história. É de se esperar que países mais avançados tenham IDH mais alto'', diz. ''É uma comparação um pouco forte porque está relacionando o Brasil com países industrializados há dois séculos e nós temos uma industrialização mais recente, com avanço a partir dos anos 50'', pondera.
O economista considera que a carga tributária barsileira está no limite e não tem muito espaço para crescer, visto que desde o governo FHC ela começou a subir em função da dívida pública, ''que aumentava fortemente''. ''Carga tributária e dívida pública cresceram juntas'', afirma.
Conforme Scatolin, para que o IDH melhore e reflita positivamente no Irbes, é necessário que os juros reais comecem a cair e que a dívida pública não continue crescendo na mesma velocidade dos últimos 15 anos. ''Desta maneira, os recursos poderão ser aplicados nos serviços para o contribuinte, que usufruirá de mais qualidade'', finaliza. (A.V.)

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