São Paulo O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, rebateu ontem as críticas feitas à decisão da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que cortou em 1,5 ponto a taxa Selic. Com isso, a taxa básica de juros da economia brasileira caiu de 26% para 24,5% ao ano. Segundo Meirelles, não houve conservadorismo na decisão do Copom, como afirmaram vários segmentos da sociedade.
''Por trás da queda gradativa dos juros não estão insegurança, timidez, excesso de conservadorismo ou de cautela. Trata-se apenas de uma assimetria natural entre a velocidade de um choque e o ritmo de reversão da política monetária à posição de equilíbrio'', disse ele durante almoço no Secovi-SP (Sindicato da habitação).
O presidente do BC disse ainda que a instituição está comprometida com a manutenção da estabilidade econômica e a retomada do crescimento, cuja condição essencial é a inflação baixa. ''Estamos criando condições para o crescimento sustentável, criação de empregos e inclusão social. Não estamos visando os próximos meses e sim a próxima década. Seremos julgados não pela justa ansiedade da semana, mas pela história'', afirmou Meireles.
Ele se irritou com os ''rumores'' sobre o possível anúncio nesta semana do compulsório dos bancos, a parte dos depósitos que as instituições financeiras são obrigadas a deixar no BC. ''Como vocês sabem, o BC não faz previsões nem indicações sobre decisões futuras nem comenta boato de mercado'', disse.
De acordo com matéria publicada pela Folha de S.Paulo, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, teria autorizado Meirelles na sexta-feira, por telefone, a reduzir o compulsório dos bancos, fixado hoje em 68% sobre os depósitos à vista e de 23% sobre os depósitos a prazo. Na parte da manhã, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse que o Brasil já havia atingido as condições necessárias para reduzir o compulsório dos bancos.
A opinião de Mantega foi compartilhada pelo diretor de normas técnicas do BC, Sergio Darcy, que afirmou que apesar da sua opinião, a redução do compulsório é uma decisão que cabe ao BC.

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