Rio de Janeiro - A decisão do governo brasileiro de pagar mais pelo gás natural boliviano foi correta e vai facilitar a integração energética do continente, na opinião do especialista em energia e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Guiseppe Bacoccoli. Ao optar pela negociação, diz ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve a clara intenção de ajudar um país mais necessitado que o Brasil.
''A Bolívia é um país amigo com o qual nós temos uma longa história de alianças. O atual governo brasileiro está claramente com a intenção de ajudar um vizinho que tem sérios problemas econômicos. Foi uma decisão politicamente correta do governo brasileiro, embora vá gerar, certamente, reclamações do pessoal do setor econômico-financeiro'', disse o professor à Agência Brasil.
''Não entendo que o governo brasileiro tenha saído enfraquecido destas negociações. Quem sai enfraquecido é o bolso de alguns setores econômico-especulativos. O país tem interesses acima disso e, neste aspecto, a decisão poderá ajudar a integração energética do continente sul-americano'', afirmou.
Bacoccoli disse que a América Latina como um todo, e a do Sul em especial, tem recursos energéticos suficientes para não depender de fontes externas - seja gás natural, petróleo ou mesmo fontes alternativas. ''O problema é que estamos importando e exportando produtos energéticos para o Primeiro Mundo. Até mesmo a Venezuela, com toda sua briga com os Estados Unidos, vende praticamente todo o óleo produzido no país para eles.''
Para o professor, o continente pode se tornar uma ilha em um mundo cada vez mais dependente de energia. ''Desde que entremos em acordo, somos um dos poucos continentes com recursos energéticos suficiente para não depender de ninguém de fora. Podemos, a partir do entendimento, passar ao largo de crises de energia. Isso é muito bom.'' (Agência Brasil)

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