Os produtores paranaenses de carne bovina reagiram com desdém à notícia de que a Grã-Bretanha tem intenções de barrar o produto brasileiro alegando que o rebanho pode estar contaminado com febre aftosa. ‘‘Eles têm é que embargar o deles, pois eles é que têm aftosa, e não nós’’, disse o assessor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Cavalcanti.
Na quarta-feira foi divulgado que os produtores da Grã-Bretanha estão pressionando o governo para barrar a entrada de carnes de fora da União Européia (UE). Eles acham que o rebanho local pode ter sido contaminado pela carne importada. Mas Cavalcanti lembrou que as regiões brasileiras que exportam carne, como a Centro-Sul, são reconhecidas pela Organização Internacional de Epizootias como área livre de aftosa.
Para o assessor econômico do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados (Sindicarnes), Gustavo Fanaya, a alegação dos britânicos é infundada. ‘‘Eles importam do Brasil apenas carne industrializada e carne congelada sem osso, e nessas condições o vírus não pode sobreviver’’, disse. O vírus da febre aftosa se desenvolve no osso bovino.
Fanaya afirma que os produtores da Grã-Bretanha estão tomando essa atitude por temor de perder mercado futuramente. ‘‘Eles têm receio que quando o problema da vaca louca termine, já esteja consolidado o fluxo de carne daqui para lá e não haja espaço para eles’’, afirmou. Além disso, Fanaya lembra que os governos da UE já sinalizaram que pretendem diminuir e até cancelar os subsídios dados aos produtores, como proteção de mercado, porque isso estaria custando bastante e não estaria apresentando retorno. (Rosana Félix)

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