Para opositores, bom desempenho da empresa justifica manutenção
A principal alegação de quem é contra a venda da Copel é de que não há sentido em se desfazer de uma empresa lucrativa que tem um dos melhores desempenhos entre as demais companhias de energia do País. Entidades da sociedade civil e políticos de oposição ao governo alegam que o governo do Estado tem interesse em vender a Copel, porque arruinou as finanças paranaenses. A intenção seria apenas fazer caixa para quitar débitos com fornecedores.
Eles dizem que a Copel é uma empresa saudável que tem um patrimônio líquido em constante crescimento, principalmente nos últimos anos (ver quadro). O endividamento é um dos mais baixos entre as empresas do setor energético brasileiro, o que não justificaria dizer que está perdendo competitividade para as concorrentes privadas.
Na avaliação dos opositores, o fato de a Copel negociar ações na Bolsa de Valores de Nova York torna a empresa possuidora de grande capacidade de alavancar recursos no mercado internacional, onde há juros mais baratos. Também ficaria mais fácil conseguir parceiros estratégicos para investimentos de interesse dos paranaenses.
A tecnologia desenvolvida pela Copel é colocada como outro fator que deveria ser considerado pelo governo. A empresa é uma das mais avançadas nas áreas de geração, transmissão e distribuição. Em compensação, tem um dos mais enxutos quadros de pessoal e estrutura administrativa. São 6,1 mil funcionários, o que dá uma média de um empregado para cada 458 consumidores.
Em nota encaminhada aos jornais, o senador Roberto Requião e deputados estaduais da bancada do PMDB lembram que a Copel sempre foi usada pelos governos para financiar projetos de pesquisa. Ela foi utilizada ainda para promover o desenvolvimento econômico e social do Paraná. Esse canal de recursos secará com a venda.
Os investimentos feitos pela Copel ao longo de sua história se aproximariam de R$ 14 bilhões, principalmente na construção de hidrelétricas. As usinas praticamente já se pagaram, agora seria a época apenas de produzir energia e lucrar. Para que as usinas gerem lucro basta que chova, diz o comunicado. Com o crescimento econômico do País, a energia elétrica será disputada nos próximos anos. Quem tiver esse bem de consumo vai ter em mãos um excelente ativo.(C.M.)





