E para onde vai o dólar agora? A expectativa dos analistas é que a moeda não sofra grandes alterações no curto prazo. Antônio Madeira, da consultoria MCM, acredita que as cotações podem cair um pouco, recuando para R$ 1,95. Há quem aposte que o mercado pode testar em breve o nível de R$ 2,00 - na sexta-feira, o dólar bateu em R$ 1,997.
A tendência do dólar deveria ser declinante, uma vez que a moeda americana costuma acompanhar o comportamento do prêmio de risco indicado pelo C-Bond. As cotações podem bater em R$ 1,92. A questão é que, para isso, a autoridade monetária precisa coordenar as expectativas do mercado, para que se dissipe uma percepção negativa em relação ao câmbio, afirma Nathan Blanche, sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada.
No curto prazo, porém, há duas fontes de incerteza que podem impedir um recuo das cotações. O primeiro problema é a preocupação quanto à desaceleração da economia americana. Há muitas dúvidas sobre os efeitos que o desaquecimento do nível de atividade nos Estados Unidos terá sobre os mercados emergentes, o que leva alguns investidores mais cautelosos a buscar o refúgio no porto seguro do dólar.
O outro problema vem de Brasília: a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado provocou uma crise na base governista. Foi a primeira vez em muito tempo que a questão política causou mal-estar no mercado. Mas muitos analistas entendem que essa pressão deve acabar logo depois da eleição, marcada para o dia 14. ‘‘Essa é uma turbulência que tem data certa para acabar’’, diz o chefe de Derivativos do banco Lloyds TSB, Maurício Zanella. Para ele, o dólar deve ficar na casa de R$ 2,00 nas próximas semanas. ‘‘E isso não é um problema.’’ (Agência Estado).

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