Para alguns, estamos dentro de uma grande bolha, criada por fatos conjunturais que deverão em poucos meses, serem superados e tudo voltar à normalidade.
Para outros o ingresso em um período longo de deflação, irá agravar o problema que aflige a maioria dos brasileiros, já não se falando somente no contingente dos trabalhadores e sim de uma forma geral e, para outros, as coisas estão caminhando normalmente, dentro de um projeto pré-estabelecido, em que a base era exatamente a redução do consumo, para manter a moeda forte, mesmo sabendo-se que para isto, iriam acontecer fatos como os que agora estão acontecendo, desemprego e quebras.
Seria o momento de perguntar, se não estaria na hora de um ajuste no projeto?
E essa pergunta surge, no momento em que os patrões e empregados, buscam através da criação de um ‘‘banco de horas’’ evitar o desemprego e o acréscimo de custo da mão-de-obra.
E o ‘‘banco de horas’’ o que é, senão a compensação do maior número de horas trabalhadas em um dia, com a redução da jornada em outros, sem a necessidade do pagamento de horas extras com os acréscimos previstos em lei.
Isto não seria necessário se estivéssemos trabalhando em condições normais, com projetos industriais em franca evolução e a demanda aquecida.
É o imprevisível do dia-a-dia, impedindo as empresas de terem quadros reduzidos de empregados face ao alto custo das recisões, para esses cortes.
A formação de um trabalhador técnico, custa muito caro para uma empresa e simplesmente demiti-lo, por existirem poucos pedidos em carteira, poderá custar muito mais caro, se derepente o volume de pedidos aumentar e tiver a empresa que contratar novos funcionários.
Até treiná-los, e colocá-los em condições de trabalho, estará perdendo muito tempo e talvez não possa atender aos prazos dos pedidos.
O ‘‘banco de horas’’ com certeza para os trabalhadores é uma solução inteligente, não obstante possa reduzir seus ganhos no geral.
Entretanto, receber menos, compensando horas a mais de um dia com menos em outros, é melhor do que não receber nada, ficar desempregado.
O que preocupa, entretanto, é o tamanho da ‘‘bolha’’ quanto tempo teremos ainda que esperar para um aquecimento na economia e um novo aumento na demanda.
Isto talvez esteja fora dos planos daqueles que montaram o atual projeto econômico, que está conseguindo manter estável nossa moeda, que diga-se de passagem, é forte, que se observe quando se sai do País.
Será que o caminho não é pior aí mesmo. Será que não é preciso chegarmos ainda mais fundo, para solucionar o problema e aí então, ajustar o projeto - REAL e incrementar o consumo, abrindo novos pontos de trabalho.
Uma coisa é certa. Passada a euforia que vivia o brasileiro, no regime do compra tudo e paga como pode, sente-se já que a inadimplência não obstante acelerada, tem dois pontos importantes de apoio. O primeiro, mais lógico, o desemprego e a impossibilidade daqueles que estão aguardando espaço para trabalhar, e obter recursos para liquidar seus compromissos. Eo segundo, aqueles que mesmo sabendo que não poderiam comprar, pois não tinham como faze-lo, compravam e ficavam aguardando o dia de amanhã, jogando com futuros aumentos de salários e horas extras, que simplesmente acabaram, e se existirem, serão em geral, compensadas, dentro do ‘‘banco de horas’’.
Não sabemos se estamos certos, não conhecemos o tamanho da ‘‘bolha’’ que já está girando a mais de três meses, desde o final do ano-passado, entretanto, esperamos que o exemplo de qualquer outra ‘‘bolha’’ não se dissolva, ou não ‘‘ estoure’’, pois a situação do trabalhador aí então ficará ainda mais difícil.
Esperamos que os homens que idealizaram o plano, estejam acompanhando o andar dessa ‘‘bolha’’ e que façam os ajustes que planejaram, pena de com o aumento da deflação que é tão grave com a inflação, passarmos a enfrentar um problema nunca antes conhecido no Brasil, a perda de valor de nossas economias, quando o dinheiro ganho hoje, valer menos, a cada dia seguinte, e sentirmos nosso patrimônio reduzir em seu valor.
E isso será ainda mais forte, se os serviços públicos, os ajustes de imposto não forem evitados, se efetivamente o governo também não entrar na ‘‘bolha’’ e procurar se adaptar a situação geral.
Caso contrário, estaremos passando a conviver com a situação totalmente nova no Brasil, o empobrecimento do trabalhador, com o enriquecimento do Estado.
Quem sabe com esse procedimento tenhamos condições de sanar novas dívidas externas e aí sim, reajustar o plano e incrementar a demanda, com o aquecimento interno da economia e o surgimento de novas frentes de trabalho.
Será que estamos certos em nossas expectativas?
Para onde estamos indo?

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