Genebra - O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia, alerta que a comunidade financeira internacional não está dando o ''espaço necessário'' para que o Brasil avance com sua política econômica. Em conversa com a Agência Estado, Somavia ainda lembrou que um eventual sucesso do País em sua política econômica e social será acompanhado de perto pelo mundo.
Somavia abriu ontem, em Genebra, a Conferência Anual da OIT, que neste ano tratará de temas como a imigração de trabalhadores e os efeitos da globalização para empregados e empregadores. Para o diretor, porém, o desemprego na América Latina pode ter efeitos significativos para a estabilidade política e social da região.
''A ONU conta com estudos que mostram que, como as necessidades de emprego e no campo social não se cumpriram na América Latina, o apoio à democracia está se reduzindo. A falta de emprego tem efeitos diretos na desestabilização política e social'', afirmou.
Para o diretor da OIT, os problemas sociais na região não estão sendo ''suficientemente bem tratados pelos organismos internacionais''. ''A América Latina precisa se concentrar em investimentos, crescimento e criação de emprego. Esse deve ser o coração da política econômica e das recomendações de organismos internacionais aos governos da região'', disse Somavia, insinuando que o Fundo Monetário Internacional (FMI) deva reavaliar sua política para o continente latino-americano.
Na avaliação do chileno, os atores sociais e governamentais no Brasil estão cientes da necessidade de se ter uma política de crescimento e de criação de empregos para o País. ''O problema é que não se está dando o espaço internacional suficiente para que o Brasil possa levar adiante essa política, seja em termos financeiros e monetários ou em termos de acesso a mercados internacionais. O País tem de ter a opção de poder levar adiante suas políticas nacionais que o permitam crescer'', defendeu.
O apoio da OIT às propostas do governo brasileiro foi retribuído por Brasília de uma forma original. Os Correios lançaram um selo comemorativo à organização internacional e, com a presença de Somavia e do ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, em uma cerimônia em Genebra, anunciaram que o selo de R$ 0,50 teria uma tiragem de um milhão de cópias. ''O êxito do Brasil é de interesse global'', disse o diretor da OIT.

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