A Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE) considera que as principais dificuldades do Brasil não estão no curto prazo, como é o caso da crise energética, mas são estruturais. O diretor da instituição, Val Koromzay, disse que o País já apresentou avanços suficientes para justificar otimismo quanto ao seu futuro, mas ainda há grandes desafios a vencer. Entre eles, citou a vulnerabilidade da dívida externa e a instabilidade financeira, além dos problemas fiscais e sociais.
Koromzay esteve ontem na sede da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio para apresentar a versão em português do minucioso relatório da OCDE sobre a economia brasileira, divulgado há três semanas na versão em inglês e que suscitou questionamentos da imprensa estrangeira sobre o otimismo das avaliações, como lembrou o próprio diretor. Ele esclareceu que os choques recentes na economia brasileira são um desafio, mas não são motivo para pessimismo em relação ao futuro do País.
Segundo ele, o relatório não enfoca questões de curto prazo e por isso é otimista em relação ao Brasil. ‘‘O País ultrapassou um determinado limiar para o desenvolvimento econômico, mas dizemos isso de forma cuidadosa e condicional’’, afirmou.
O relatório, primeiro da OCDE sobre a economia brasileira, destaca os benefícios da estabilidade econômica, mas critica a CPMF, ‘‘uma boa fonte de receita tributária, mas cara e distorcida’’, ao referir-se à necessidade da reforma tributária no País.

mockup