Para OCDE, crescimento da AL dependerá do Brasil
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quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Agência Estado-Reuters 
A retomada do crescimento na América Latina a partir do ano 2000, após a forte desaceleração que se deverá verificar em 1999, dependerá principalmente da capacidade das autoridades brasileiras de administrar as pressões pela desvalorização da moeda e aplicar as medidas duras para impedir novo contágio da região pela crise asiática. Este ano, a economia do Brasil deverá crescer apenas 0,8%.
Nos próximos dois anos, avalia o relatório semestral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a região atravessará, na melhor das hipóteses, um período de transição, com baixo crescimento na Argentina e nos países andinos, e retração do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil e na Venezuela. Conforme o documento, a economia do Brasil registrará, em 1999, retração de 1,5%, enquanto a da Argentina crescerá apenas 1,5%, 2,5 pontos porcentuais abaixo deste ano.
Como observa o economista-chefe da OCDE, Ignazio Visco, a recuperação da economia da região a partir do ano 2000 dependerá fundamentalmente da aprovação, pelo Congresso brasileiro, das reformas constitucionais idealizadas para reduzir o déficit fiscal. Outro elemento importante para assegurar a retomada do crescimento é o resgate da confiança do mercado, que será possível a partir da liberação do pacote de socorro externo organizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
A economia do México, único país latino-americano a integrar o seleto grupo de 29 nações que compõem a OCDE, também deverá expandir-se a um ritmo menos acelerado em 99, cerca de 3,6% em relação a um crescimento de 4,6% este ano. Um dos principais motivos desse declínio é a fraca demanda pelos produtos de exportação da região, tais como petróleo, cobre e outros produtos básicos, além de bebidas tropicais.
Nesse cenário, os países da região foram obrigados a recorrer ao capital externo para financiar grandes déficits em conta corrente. Mas o principal risco na América Latina seria a reversão do Plano Real, argumentam os economistas da OCDE. Se o plano fosse abandonado de forma desordenada, com uma imediata alta da inflação, o risco de uma grave retração do nível de atividade econômica seria ainda mais grave, sugere o documento. A OCDE, porém, não exclui totalmente o risco de uma forte crise no Brasil.


