Para o Supremo, sobretaxa na conta é confisco
O futuro presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio de Mello, disse que o órgão deverá considerar a sobretaxa de energia um confisco. A jurisprudência do Supremo é no sentido do confisco quando a importância adicionada ultrapassa o próprio valor inicialmente devido, disse. Ele assume a presidência no fim do mês e vai comandar as discussões do tema.
Caso a expectativa do ministro se confirme, serão derrubadas as duas medidas provisórias que dão base à cobrança de sobretaxa dos que consomem mais. O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, fez um apelo à colaboração do Judiciário. Eu acredito na compreensão da Justiça brasileira para a gravidade do momento que vivemos.
Parente afirmou estar certo de que os juízes levarão em consideração o fato de que se trata de uma situação de força maior, que exige do governo a responsabilidade de propor medidas, por mais duras que sejam.
O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Paulo Costa Leite, disse que o Judiciário será sensível à situação excepcional do País. A medida provisória que criou a GCE (Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica) autorizou-a a fixar regimes especiais de tarifação ao consumidor e a criar bônus por consumo reduzido.
As normas detalhadas sobre a forma de cobrança da sobretaxa serão estabelecidas em outra MP. As duas medidas poderão ser contestadas por meio de ações diretas de inconstitucionalidade. O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Rubens Approbato Machado, disse que a entidade vai examinar o pacote do governo para decidir se propõe ação no STF.
Na entrevista concedida ontem, ficou claro que o governo ainda não definiu a sua defesa. Pedro Parente afirmou que os advogados do governo asseguram que as medidas são legais e constitucionais e anunciou que solicitaria ao comitê de assessoramento da GCE um estudo mais aprofundado sobre os aspectos jurídicos do plano de racionamento.





