Para o Ipea, crise não reduz crescimento em 97
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
A economia brasileira somente teria uma forte redução no crescimento esperado para este ano, por causa da crise nas bolsas, se ocorresse um longo e forte cataclisma. É o que diz o diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Cláudio Considera. Ele reconheceu que de fato a elevação das taxas de juros é preocupante e pode afetar o consumo, consequentemente fazendo diminuir a produção. Mas nada indica que a contaminação dos juros sobre o consumo venha a durar tanto que faça a economia crescer menos do que esperamos, assegurou.
As projeções do Ipea são de que o Produto Interno Bruto (PIB) - soma dos bens, mercadorias e serviços produzidos no País - de 97 ficará em 4%, percentual recentemente revisto para cima. Até o mês passado, o Ipea trabalhava com uma estimativa de 3,8%. Para Claudio Considera, os 4% deste ano estão praticamnete assegurados. Só cresceremos menos se a crise se aprofundar e obrigar o governo brasileiro a manter as taxas de juros em alta igualmente por muito tempo.
Se os juros ficarem muito altos por muito tempo, haverá uma paralisação no mercado de crédito, que certamente afetará o desempenho de toda a economia. Os consumidores podem até aceitar as taxas altas e querer manter as compras, porém as próprias instituições financeiras deverão ser mais seletivas, já que o dinheiro mais caro implica em risco de maior inadimplência. Para as empresas, o aumento do custo do dinheiro também significará uma redução de competitividade frente aos produtos importados.
Considera lembra que geralmente as crises em bolsa não se transmitem para a economia real, mas dadas as características das turbulências de agora, em que a altura das taxas de juros é instrumento de defesa da moeda, pode haver contaminação.
Mesmo assim, ressalva, de maneira alguma se poderia pensar em um crescimento econômico de somente 2,5% este ano, por exemplo, como já andou aparecendo em alguns jornais. Considera explica que, para se expandir em apenas 2,5% este ano, a economia, no terceiro trimestre, teria de despencar 2,3% em relação ao último trimestre de 1996, o que é virtualmente impossível. Pelos seus cálculos, no último trimestre de 97 a economia crescerá aproximadamente 3,7% em comparação com o mesmo período do ano precedente - apesar da turbulência violenta nas bolsas.


