Para o investidor, momento é de cautela
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domingo, 02 de agosto de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaTrunfo do governoLeiloeiro bate martelo na privatização do Sistema Telebrás: divisor de águas na economia e no mercadoO mercado financeiro reagiu com euforia ao leilão da Telebrás, semana passada. O sentimento é que a venda das empresas do sistema Telebrás com ágio de 63,74%, bastante superior ao estimado, traça um divisor de águas na economia e no mercado financeiro. No nível macroeconômico, o elevado sobrepreço em relação ao mínimo definido, indicando a aposta do investidor estrangeiro no País, e os dólares trazidos por eles para o pagamento de empresas arrematadas reforçarão as reservas internacionais e darão folga ao caixa do Tesouro.
Com o trunfo obtido, o governo rebate parcialmente a pressão em duas principais fontes: as contas externas e o déficit público. Terá momentaneamente os dólares de que necessita para pagar compromissos externos e bancará custos menores com juros, pela redução deles e da base. O ingresso de dólares possibilita maior declínio dos juros domésticos, mantidos em níveis elevados para atrair o capital externo. O corte dos juros e o encolhimento da dívida interna, abatida, como promete o governo, com o dinheiro obtido pela venda do sistema Telebrás, significarão uma diminuição dos gastos com juros sobre a dívida.
Embora insuficiente para resolver as duas fragilidades do Plano Real, interna e externamente, na falta de reformas o que foi obtido na semana passada projeta um cenário de maior otimismo nas Bolsas de Valores. A expectativa é que a queda mais acentuada dos juros estimule uma retomada, embora modesta, do crescimento econômico e também que a melhora do governo nas contas públicas atraia maior volume de investimento para as Bolsas.
De fato, o mercado de ações reagiu com fortes altas à privatização da Telebrás. Deslocou o interesse dos investidores principalmente para as ações de empresas de telecomunicações vendidas, cujas cotações dispararam. O clima é de otimismo, mas o investidor em ações deve continuar seguindo alguns cuidados para diluir o risco de perda nas Bolsas, segundo o administrador do Private
Bank do Banco Sudameris, Eduardo Santalúcia. O investimento em ações é indicado apenas para quem espera ganhos no longo prazo, superior a um ano, porque o mercado vai permanecer volátil (com bruscas oscilações).
A principal fonte de instabilidade está na eventual queda mais forte em Nova York. Uma baixa discreta das ações na Bolsa nova-iorquina não abala as ações no Brasil, o que não acontece com quedas acima de 100 pontos, por exemplo. A compra de ações com objetivo de ganho rápido deve ser evitada porque a volatilidade das Bolsas fortalece o risco de perdas nesses casos. As aplicações de prazo mais curto devem ser feitas no mercado de renda fixa, sugere Santalúcia. As taxas de juros tiveram novo corte, mas com o mergulho da inflação, previsto para este mês, o rendimento real na renda fixa deve ser bem mais elástico.


