O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, disse ontem não acreditar que a recessão no Japão possa afetar a lenta recuperação que a economia brasileira vem apresentando desde o início do ano. Segundo ele, isso ocorreria apenas se a recessão japonesa se alastrasse para outras regiões do mundo.
Bier assinalou, porém, que até o momento a crise se concentra na Ásia e não tem afetado as exportações brasileiras de maneira preocupante. Por isso, o governo mantém a estimativa de um crescimento de 2% do Produto Externo Bruto (PIB) este ano. ‘‘As consequências para o resto do planeta dependerão dos rumos que essa crise tomar, e a situação ainda não está clara’’, ponderou. ‘‘Ainda é cedo para se fazer prognósticos.’’
Segundo Bier, até agora a crise asiática tem prejudicado sobretudo o fluxo de capitais e investimentos para o País, devido à alta liquidez das bolsas de valores e do mercado de títulos da dívida externa brasileira. O impacto sobre o comércio exterior, no entanto, tem sido pequeno.
O secretário considerou improvável uma desvalorização da moeda chinesa - o yuan - e um aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, dois fatores que, segundo os analistas, poderiam agravar ainda mais a crise financeira internacional. Ele observou que as autoridades chinesas têm mantido o compromisso de não desvalorizar o yuan.
Quanto aos juros, afirmou que as seguidas quedas que a moeda japonesa - o iene - vem sofrendo frente ao dólar constituem um fator que deve levar as autoridades norteamericanas a não aumentar as taxas. ‘‘Mesmo que os juros americanos subam até o final deste ano, como muitos estão prevendo, a elevação será pequena’’, disse. ‘‘Não é algo que possa criar problemas mais sérios.’’
Bier afirmou ainda que, na hipótese da crise se tornar global, as autoridades dos países mais desenvolvidos certamente tomariam medidas mais firmes para combatê-la. Segundo o secretário, o efeito da crise japonesa sobre o comércio externo do Brasil tem efeito limitado por causa da grande diversidade das exportações brasileiras, que não são concentradas em poucos mercados.
De janeiro a abril deste ano, as exportações brasileiras para a Ásia caíram 18%, e as vendas para o Japão tiveram queda 17%. No entanto, a Ásia responde por apenas 10% das exportações do País e o Japão, por 4,5%.
Na hipótese da crise se alastrar, porém, a economia mundial passaria a crescer menos e os mercados de outros países aos quais o Brasil exporta se tornariam mais restritos, o que acabaria por afetar indiretamente as exportações e o crescimento da economia brasileira, admitiu Bier. Ele salientou, no entanto, que até o momento as economias da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina têm se mantido em expansão.

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