O custo de vida continua caindo. Os institutos de pesquisa já não estão medindo mais inflação e sim deflação, com índices negativos, pelo terceiro mês consecutivo. O IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicou deflação de 0,17% em julho, 0,16% em agosto e 0,08% em setembro; o IPC, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), de 0,77%, 1% e 0,66%, respectivamente; o ICV, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de 0,37%, 0,89% e 0,11%, pela ordem.
Como a pesquisa leva em conta uma cesta de produtos e serviços escolhidos, a inflação ou deflação atinge de forma diferente o consumidor, dependendo dos itens que fazem parte do orçamento de cada um. Na pesquisa da Fipe, no mês passado o item educação teve alta de 0,23% e saúde 0,12%; pelo Dieese, a alta foi de 0,01% e 0,15%, pela ordem. Na análise de Cornélia Nogueira Porto, supervisora de Pesquisa de Preços do Dieese, o item saúde está demorando a cair porque está em setor monopolizado.
Se, por um lado, a deflação é uma boa notícia para o consumidor, que tem a oportunidade de pagar menos por produtos e serviços, por outro, não há motivos para comemorar, já que está ocorrendo em razão da retração do consumo, o que significa desaquecimento da economia, que pode levar a mais desemprego e recessão, na análise do supervisor da Secretaria de Atendimento Técnico do Dieese José Silvestre.
Além disso, com a deflação, pode-se concluir apressadamente que o assalariado está com mais facilidade para pagar as contas e até sobrar algum dinheiro. Na prática, não é bem assim. Os salários, por lei, não podem ser reduzidos, mas o trabalhador está ficando com o poder aquisitivo achatado em razão da perda de algumas conquistas, como ganhos de produtividade, cesta básica, tíquete- refeição, assistência médica, etc., explica Silvestre. Ele diz que, diante das elevadas taxas de desemprego, as categorias profissionais estão enfraquecidas nas negociações salariais. Aos bancários, com data-base em outubro, o sindicato patronal está propondo apenas abono de R$ 700,00 e nenhum reajuste salarial. Vera Marta Junqueira, diretora de Estudos e Pesquisas da Fundação Procon-SP, diz que neste momento difícil é preciso rever os gastos e prioridades. Fazer um orçamento doméstico é uma necessidade, acrescenta .

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