Para o Bird, Brasil pode crescer 6% ao ano
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quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Agência Folha 
O Banco Mundial avalia que a economia brasileira tem capacidade de crescer 6% ao ano, desde que sejam implementados os investimentos programados para as áreas de saúde, educação, reforma agrária, serviços públicos e infância. Levando-se em conta o crescimento da população de 1,4% a 1,5% a cada ano, a taxa real de aumento do PIB (Produto Interno Bruto), o conjunto de riquezas produzidas pelo País, seria de 4% a 5% ao ano. A previsão mais otimista para 98 - do próprio governo - é de crescimento de 2%.
A avaliação foi apresentada pelo vice-presidente do Banco Mundial para América Latina e Caribe, Shahid Javed Burki (foto). Sem definir prazo para essa meta, ele ressaltou que poderia ser atingida muito rapidamente e sem a necessidade de aumento de recursos para os programas sociais já definidos. A expectativa do Banco Mundial coincide com aquela apresentada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante um congresso de municípios mineiros em Belo Horizonte (MG), no dia 14 de julho. Na ocasião, FHC afirmou que o crescimento seria de 3% a 4% na virada deste ano. Para 99, aumentaria para 5% e caminharia depois na direção de 6% ao ano.
Para chegar a esses percentuais, entretanto, FHC apontou a necessidade de equacionar problemas econômicos, implementar a reforma tributária, diminuir a taxa de juros e equilibrar a balança comercial. Não mencionou como prioridade, portanto, os programas de ordem social, como fez ontem o Banco Mundial.
Segundo Burki, o Estado brasileiro precisa criar instituições que permitam a adaptação dos mais pobres às mudanças provocadas pelo processo de globalização das economias e também oferecer serviços públicos que atinjam todos os segmentos da população. Se o investimento for feito de forma adequada, o crescimento real da economia de 4% a 5% ao ano significará um impacto positivo na diminuição da pobreza , afirmou Burki.
De acordo com Burki, o volume de recursos destinado pelos países da América Latina aos setores sociais é semelhante ao dos países do Leste da Ásia. A diferença está nos resultados melhores colhidos pelos asiáticos e nos desperdícios maiores dos latinos. No caso do Brasil, Burki alertou para a necessidade de melhoria na alocação dos recursos. Os gastos do Brasil com saúde e educação são comparáveis aos dos países que mantêm o mesmo nível de renda. Mas é claro que é preciso melhorar a qualidade dos gastos sociais e não só aumentar os recursos disponíveis , afirmou.


